18.2.08

QUATRO

A Little Trip to Heaven (2005): realizado por um islandês, de seu nome Baltasar Kormákur, com Forest Whitaker no papel de investigador ao serviço de uma companhia de seguros norte-americana. Um filme sobre fraudes, a olhar de soslaio as intenções das seguradoras e a hipocrisia que está na base dos chorudos seguros de vida. Tem muita chuva e alguma neve, mas não aquece nem arrefece.

Il Caimano (2006): mais uma farpa de Nanni Moretti na Itália de Silvio Berlusconi, desta feita sob o prisma de um produtor de cinema a braços com as dificuldades na produção de um filme que pretende caricaturar o próprio Berlusconi. A promiscuidade entre os poderes económico e político, com as devidas consequências para o mundo das artes. Em suma, o triste paradigma da cultura parasitária.

Goya’s Ghosts (2006): pobre Goya, tão mal tratadinho nesta película de Milos Forman. Javier Bardem acaba por assumir o papel principal, vestindo o manto do padre Lorenzo, um vira casacas corrupto que salta do Santo Ofício para a Revolução Francesa e procura, a todo o custo, preservar-se das trafulhices que perpetrou enquanto andava de cruz ao peito. Goya passa completamente ao lado, num filme que mais valia intitular-se Brother Lorenzo.

Ocean’s Thirteen (2007): terceiro tomo da pandilha gerida por Danny Ocean, desta feita com Al Pacino no papel de vítima. Mas nesta série do realizador Steven Soderbergh a gente fica sempre do lado dos ladrões, até porque nos parecem mais humanos do que as vítimas. Estas não passam de agentes disfarçados de competência num universo de ladroagem consentida. Sou fã, diverte-me, venha o próximo.

Entre todos estes filmes, algo comum: a fraude, a promiscuidade, a hipocrisia, a corrupção do poder. E o prazer que nos dá assistir à sabotagem desse mesmo poder.

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