13.9.05

FOLHETO

Sou o comprimido calmante.
Actuo em casa,
sou eficaz na repartição,
sento-me no exame,
apresento-me em tribunal,
colo minuciosamente a louça partida.
Basta que me tomes,
que me ponhas debaixo da língua,
que me engulas
com um copo de água.

Sei o que fazer na desgraça,
como aguentar a má notícia,
diminuir a injustiça,
desanuviar a falta de Deus,
escolher o chapéu de luto a condizer.
Por que esperas?
Confia na piedade química.

Wislawa Szymborska

Wislawa Szymborska nasceu no dia 2 de Julho de 1923 em Kórnik, perto de Poznan, na Polónia. Poetisa, crítica literária e tradutora, licenciou-se em letras e em sociologia. Vive em Cracóvia desde 1931. Estreou-se na poesia em 1945, mas o seu primeiro livro só apareceu em 1952: Por isso vivemos. Entre 1953 e 1981 trabalhou como editora e colunista. Os seus poemas, traduzidos em várias línguas, partem das experiências mais banais do quotidiano para adquirirem uma dimensão filosófica e existencial. Em 1991 foi galardoada com o Prémio Goethe, em 1995 com o Prémio Herder e em 1996 recebeu o prémio PEN Club da Polónia. Já em 1996 foi-lhe outorgado o Prémio Nobel da Literatura.

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