19.3.07

SE EU CAIO DOENTE

Se eu caio doente,
não vou à procura do médico,
mas vou pedir aos meus amigos
(não julguem que estou a delirar):
dêem-me a estepe como cama,
ponham-me o nevoeiro como cortina à janela,
e à cabeceira coloquem
uma estrela da noite.

Nada me faz parar.
Nunca passei por ser um não-me-toques.
Se me ferem num combate justo,
liguem-me a cabeça
com um carreiro da montanha
e cubram-me
com uma manta
de flores de Ouitono.
Não preciso de gotas nem de pós.
Que os raios de sol brilhem no copo.
O vento quente do deserto,
a prata das cascatas –
eis a melhor cura.

Dos mares e das montanhas
vem-nos um odor dos tempos primevos,
com um olhar – a sensação
de que viveremos para sempre.
De pílulas branca não
me encham o caminho, mas de nuvens.
Não vos troco por um corredor de hospital,
mas pela Via Láctea.

Tradução de Manuel de Seabra.


Yaroslav Smelyakov nasceu no dia 26 de Dezembro de 1912 na Rússia. Trabalhou como mineiro e como compositor tipográfico, tendo o próprio composto o seu primeiro livro em 1931. O seu livro mais conhecido é Trabalho e amor, publicado em 1932. Morreu em 1972.

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