27.5.05

EU QUERIA UMA MULHER QUE…

Eu queria uma mulher que
estivesse numa companhia de dança e
fosse um golpe comunista
dos antigos.

o que eu queria mesmo era trabalhar
numa sapataria cumprimentar as senhoras
apertar-lhes o pé
puxar-lhes o fecho da bota
deixar a mão sobre as canjas.

o que era bom era uma multidão
e tu a plenos pulmões
e nós por todo o lado no meio daquilo tudo
e nós num dia destes.

o que era mesmo bom era levar
o meu amor a casa.

e de volta
sintonizá-lo numa canção de rádio.

Nuno Moura

Nuno Moura, alfacinha de gema, nasceu em 1970. Ex-jogador de pólo aquático, ex-professor de natação, ex-criativo de publicidade, ex-editor, ex-copywriter, poeta. Da sua geração, é o poeta que possui os melhores títulos: Não saia nem entre após aviso de fecho de portas (Signo, 1993), Soluções do problema anterior (& etc., 1996), Nova asmática portuguesa (Mariposa Azual, 1998), Os Livros de Hélice Fronteira, Regina Neri, Vasquinho Dasse, Ivo Longomel, Adraar Bous, Robes Rosa, Estevão Corte e Alexandre Singleton (Mariposa Azual, 2000) e Calendário das dificuldades diárias (& etc., 2002). Gosta de ler poesia a solo, em duo (CoPo), acompanhado (Ventilan). Participou em várias revistas da especialidade e está representado nas melhores antologias.

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