1.9.05

À ESPERA

Um ser doido,
um ser farol,
um ser mil vezes suprimido,
um ser exilado do fundo do horizonte,
um ser gritando do fundo do horizonte,
um ser magro,
um ser íntegro,
um ser altivo,
um ser que quereria ser,
um ser na batida de duas épocas que se entrechocam,
um ser nos gases venenosos das consciências que sucumbem,
um ser como no primeiro dia,
um ser…


Tradução de Júlio Henriques.

Henri Michaux (1899-1984)

Henri Michaux nasceu em Namur em 1899. Ainda muito pequeno, foi-lhe diagnosticada uma doença cardíaca. Estudou Medicina em Bruxelas, curso que logo abandonou partindo para a primeira de inúmeras viagens realizadas ao longo da sua vida. América, África, Índia, China, nenhum território parece ter escapado ao viandante Michaux. Em 1922, a leitura dos Cantos de Maldoror desencadearam em si uma forte vontade de escrever. Começou a fazê-lo para a revista Le Disque Vert. Incompatibilizado com a família, mudou-se para Paris. Trabalhou como professor, secretário, começou a pintar, publicou em revistas vanguardistas como a Commerce e a Bifur. Contactou com os surrealistas, mas logo em 1925 separou-se de Breton e do [seu] movimento. Em 1926 começaram a aparecer os poemas de Michaux na revista Nouvelle Revue Françoise. Entre 1927 e 1928, viajou pelo Equador, na companhia do malogrado poeta Alfredo Gangotena. Começou a consumir com maior frequência vários tipos de drogas e dedicou-se ao estudo da mitologia hindu. Em 1929 morreram o seu pai e a sua mãe, deixando-lhe uma herança que lhe permitiria continuar a viajar durante vários anos. Criou a personagem Pluma e publicou a sua obra mais famosa: Un Certain Plume (1930). Expôs, publicou, pronunciou várias conferências. Em 1943 casou-se com Marie-Louise Ferdière, que conhecera em 1934. Após a sua morte, em 1948, Michaux sofrerá uma forte depressão. Em 1955 adoptou a nacionalidade francesa. O consumo continuado de mescalina e haxixe, levá-lo-ão a colaborar, já na década de 60, num filme sobre essas experiências. Em 1972 iniciou colaboração com as edições Fata Morgana, expôs as suas pinturas, publicou um livro de desenhos. Morreu no dia 19 de Outubro de 1984 num hospital de Paris, em consequência de um enfarte.

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