18.9.05

[vi]

já que sentir é primeiro
quem presta alguma atenção
à sintaxe das coisas
nunca há-de beijar-te por inteiro;

por inteiro ensandecer
enquanto a Primavera está no mundo
o meu sangue aprova,
e beijos são melhor fado
que sabedoria
senhora eu juro por toda a flor. Não chores
- o melhor movimento do meu cérebro vale menos que
o teu palpitar de pálpebras que diz

somos um para o outro: então
ri, reclinada nos meus braços
que a vida não é um parágrafo

E a morte julgo nenhum parêntesis

e e cummings

e. e. cummings, Edward Estlin Cummings, nasceu no dia 14 de Outubro, em Cambridge, Massachusetts. Entre 1911 e 1915 estudou na Harvard University, especializando-se em literatura grega. Em 1917 aparecem os primeiros versos de e. e. cummings na antologia Eight Harvard Poets. Entretanto os Estados Unidos entram na I Grande Guerra e o poeta participa como voluntário no corpo de ambulâncias norte-americano. Preso, por falsa acusação de traição, durante três meses, no campo de concentração de La Ferté-Macé, em Orne, é libertado em Dezembro. Em 1918 casa com Elaine Orr, de quem se divorciou pouco tempo depois. Após a guerra, estabelece-se em França, aonde regressa nos anos 20 e 30, décadas em que estende a sua criatividade aos domínios da pintura e do desenho, do bailado e do teatro, e em que estabelece um contacto directo com o vanguardismo literário europeu. Em 1923 publica o seu primeiro livro de poemas: Tulips and Chimneys. Em 1924 intala-se em Greenwich Village, vivendo da sua poesia e pintura, de leituras e conferências, e da ajuda familiar. Em 1927 casa com Anne Barton. Em 1932 conhece Marion Morehouse, que será a sua terceira e definitiva mulher. Em 1935 publica, a expensas da sua mãe, no thanks, livro recusado por treze editoras, a quem o poeta dedica o volume. A 3 de Setembro de 1962, em New Hampshire, é vitimado mortalmente por um ataque cardíaco.

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