19.4.06

Para António Pedro Ribeiro

As mulheres vão chegar

No sótão
os livros resistem
as guitarras acendem
os livros mexem-se
e as mulheres vão chegar
doentes
coloridas
prontas para a fuga
ao rude golpe do amor
para lá do palco da loucura
quando o absinto esgota
a dor toda de ser triste
ou ter vergonha
e o ar aquece
são mãos que sobem
pela voz quente de Jesus
beijando o templo fundo
de uma puta
que ama a humanidade
porque a humanidade é pobre
e não canta
e por vezes não ri
nem chega
como nós ou o mar
porque as mulheres vão chegar
verdes
e em fúria

Rui Costa

4 Comments:

At 4:40 da tarde, Anonymous Anónimo said...

as mulheres vão chegar
verdes
DE ESPERANÇA OU DE IMATURAS?
Será que me podem elucidar?
Será que tambem estou verde?
Toca o telefone. Fico à espera duma resposta que não seja displicente. Tenho pouca cultura,preciso da vossa douta paciencia.

 
At 6:17 da tarde, Anonymous m. amorim said...

verdes de vivas, de sempre transbordantes de renovação, de nunca desistirem, e sempre com o riso engatado ali na calha pronto para mais um recomeço. verdes de toda a ingenuidade que nao se lhes arranca jamais carne e da alma. verdes nos olhos, nos cabelos (o Garcia M. pelo menos diz que viu uma mulher de cabelo verde...eu eu tb já vi as rapariguinhas nordicas que de tão loiras ficam com a cabeça verde quando se banham em miramar) e verdes no sorriso (como o mentol da pasta de dentes) e verdes no abraço-prado pardo onde apetece deitar a cabeça ao fim de cada dia.

 
At 6:57 da tarde, Anonymous Anónimo said...

grande e verde fúria em forma de m.amorim !
Rui Costa

 
At 3:49 da tarde, Blogger etanol said...

as mulheres vão chegar, verdes e em furia? cuidado, pode ser um bando de galinhas...

 

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