27.6.08

BOM DIA

Françoise Gilot e Pablo Picasso.

12 Comments:

At 12:00 da tarde, Anonymous sara monteiro said...

Uau!

 
At 12:10 da tarde, Blogger hmbf said...

:)
Esta é linda, não é Sara?

 
At 1:16 da tarde, Anonymous sara monteiro said...

Uau!
Arrebatadora! Mais do que isso: sem palavras!

 
At 1:54 da tarde, Blogger etanol said...

É linda, se bem que o escorpião Picasso era um sacanoide para as mulheres!
Maria João

 
At 2:14 da tarde, Blogger hmbf said...

Pois, antes e depois desta houve outras. Mas esta é especial.

 
At 2:18 da tarde, Blogger etanol said...

A Françoise Gilot era muito especial e forte!
:)
Maria João

 
At 2:22 da tarde, Blogger Jorge Melícias said...

Hínico! Verdadeiramente hínico!


E agora, para algo completamente diferente, a epístola que lhe escrevi na Magazine Artes há meses e que irá ser editada em breve no meu novo livro de crónicas.



Material Poético

Dear Rufus,

temos em comum a aproximação à arte – haverá coisa que mais una duas pessoas do que isso? Como sabes (ou se não sabes, deverias saber, só te fazia bem estudar um bocadinho a nova geração da poesia portuguesa…) escrevo uns livros de versos. Depois da juvenília editei dois, um dito do Homem, outro dito de Estimação. Tenho no prelo outro, chama-se Vou para Casa e, vê tu bem, além de uma parte de onze ou doze poemas sobre músicas do Johnny Cash, tem ainda outra – a que lhe dá título – em que se respira as lindas Au Revoir Simone. E, como não sabes, como certamente não sabes, até te coloquei como objecto de epígrafe no de Estimação.

A música chama-se Vibrate. Dizes: Pinochio’s now a boy who wants to turn back into a toy. A infância, claro. A memória dela. O menino que quer ser outra vez a madeira; um rapaz como eu que quer voltar a ser menino. É do teu Want One. De onde roubei também o título para o poema mais duro que alguma vez escrevi: Dinner at Eight. Nunca de mim dei tanto a uns versos. Mesmo que possa ter inventado uma parte desse mim – não é a memória essa ficção enorme?

Mas isto para dizer o quê, Rufus? Falar do Release the Stars? Não o ouvi com a pertinência que mereces – não vou falar dele. Isto para falar de nós, de como trazemos para a nossa literatura – os teus versos, as tuas ditas letras, são poemas, meu caro – tudo o que achamos próximo e autobiográfico e heterobiográfico e valioso e verdadeiro e falso. Como fazemos da nossa música (eu quero que os meus versos sejam cantados pelo leitor, baixinho, Rufus) uma coisa onde há carne, vísceras, melancolia e felicidade.

Quando um dia me perguntaram quais as minhas influências, eu disse que eras tu. Tu e o Conor Oberst dos Bright Eyes. Já me cansei do Herberto Helder. Já li demasiado o Eugénio de Andrade. Já conheço de cor as frases longas do Ruy Belo. As minhas influências são os teus versos, teus e do Conor. São vocês quem me diz que é possível escrever poesia com a vida imiscuída em cada sílaba. Que é possível esquecer que queremos falar da Morte e da Vida e falar apenas e só de uma morte e de uma vida. Nunca acreditei em maiúsculas. Até as bani dos primeiros livros. Mas depois cresci. E percebi que existem, mas só para marcar o início das frases. Pontos de exclamação e maiúsculas fora do sítio, Morte e Vida sem ser a Severina do título do João Cabral de Melo e Neto não me interessam nada. Como a ti – só te interessa a Natasha, o teu pai, a tua little sister, o beauty mark da tua mãe, os teus amigos que dormiam no 11:11; o teu professor de arte com quem sonhavas à noite.

És um cantor muito bom. Mas és um compositor genial. Até me dizem que te encomendaram uma ópera, nessa tua Nova Iorque onde te sentiste adoptado. Chamaste-lhe logo Prima Donna, não fosses tu a maior que alguma vez tive o prazer de conhecer (uma entrevista meia forjada só para tirar uma fotografia, claro). E um escritor com pinta, como diz um amigo meu. A mistura da voz, da composição e da tua literatura fazem uma caldo imperdível, verdadeiro e falso porque tudo na arte é verdadeiro e falso ao mesmo tempo.

De resto, Rufus, adoro quando me enganam assim. Já os Radiohead o tinham feito na Creep. Tu sabes sobre o que é esse hino? Dir-me-ás: uma relação amorosa, alguém a desculpar-se ao seu amor da sua vida adolescente e insignificante (i’m a creep, i’m a weirdo, canta Thom Yorke). Mas não. É sobre os maus da fita dos desenhos animados. Sobre o Coiote. Sobre o Diabo da Tasmânia. Sobre os Irmãos Dalton ou sobre aquele maluco das corridas voadoras (o do cão, Rufus, o do cão). E tu, naquela coisa maravilhosa que se chama Go or Go Ahead também me enganaste. Eu a pensar em ti a dizer a um rapazinho, go or go ahead and surprise me quando afinal falavas da tua dependência de anos nas drogas que quase te mataram. Amei, Rufus. É claro que, como para a minha amiga Xana a Creep será sempre sobre uma relação, também para mim a Go or Go Ahed será sobre uma moçoila. Deixa lá que seja a moçoila, Rufus. Pensa tu nos meninos que eu faço-os cachopas.

Agora chega. Vai lá compor, não percas mais tempo a ler estas palavras. São só de um admirador. De um fã – a palavra mais feia que alguém pode ter um dia inventado. Mesmo de um daqueles fãs que tenta a partir da tua arte fazer outra e em português. Fica bem. O João manda-te um abraço.

Publicada por Jorge Reis-Sá em 13:08 0 comentários
Etiquetas: famalicão, música, rufus wainwright

 
At 2:23 da tarde, Blogger hmbf said...

encontram-se no google fotografias magníficas dos dois. e da gilot com o jonas salk.

 
At 2:28 da tarde, Blogger hmbf said...

Caro Melícias, 'tou aqui que não posso. Rir perdidamente, deve ser isso a poesia. :))))

 
At 7:45 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Jorge Melícias, ele escreveu mesmo isso? É a sério ou é você a gozar com as "epístolas" dele?

 
At 8:32 da tarde, Anonymous Anónimo said...

o texto não é do reis-sá? não percebo nada...

 
At 12:14 da manhã, Blogger hmbf said...

O texto está disponível no weblog do Jorge Reis-Sá: http://ruadacastela.blogspot.com/2008/06/ateno-ateno-aviso-populao.html. É uma bela epístola. :)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))

 

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