2.10.05

OUTONO DE 1961

Pra trás e prà frente, pra trás e prà frente,
vai o toc, toc, toc,
do rosto laranja, terno,
embaixadorial, da lua
no relógio de parede do avô.

Durante todo o Outono, o atrito e a discórdia
da guerra nuclear;
exaustivamente discutimos a nossa extinção.
Nado como um vairão
Atrás da janela do meu estúdio.

O nosso fim aproxima-se,
eleva-se a lua,
radiante de terror.
O estado
é um mergulhador sob um sino de vidro.

Um pai não é um escudo
para o seu filho.
Somos como aranhas
selvagens chorando juntas
mas sem verter lágrimas.

A Natureza ergue um espelho.
Uma andorinha faz um Verão.
É fácil marcar
os minutos
mas os ponteiros ficam presos.

Pra trás e prà frente!
Pra trás e prà frente, pra trás e prà frente, -
o meu único ponto de repouso
é o laranja e negro
oscilante ninho do oríolo!

Tradução de Mário Avelar.

Robert Lowell

Robert Lowell nasceu no dia 1 de Março de 1917 em Boston. Aos 20 anos iniciou estudos superiores no sul. Em 1940 casou com a escritora Jean Stafford. Três anos mais tarde foi preso no Connecticut, em consequência de uma cata enviada ao Presidente Roosevelt onde se recusava a prestar serviço nas Forças Armadas. Em 1944 publicou Land of Unlikeness. Sofre as primeiras crises psiquiátricas cinco anos depois, sendo-lhe diagnosticada uma personalidade maníaco-depressiva. Entretanto iniciou uma relação com a excritora Elizabeth Hardwick com quem viria a casar. Viaja pela Europa, lê Freud, regressa a Boston como docente da Universidade dessa cidade. Na década de 1960 manifestou-se contrário ao envolvimento americano no Vietname, recusando um convite do Presidente Johnson para um encontro de escritores na Casa Branca. Traduz Baudelaire, Ésquilo e viaja para Inglaterra. Aí iniciou uma nova relação com (Lady) Caroline Blackwood, de quem viria a ter um filho. Em 1975 sofreu um problema cardíaco. No dia 12 de Setembro de 1978, ao chegar ao aeroporto JFK em Nova Iorque, apanhou um táxi no qual viria a falecer vítima de acidente vascular.

1 Comments:

At 1:09 da tarde, Blogger Hotwhisper said...

Oi,
Legal seu blog. Estou lendo "Uma Mente Inquieta", da psicóloga norte-americana Kay Jamison. Lá ela cita a seguinte frase de R.Lowell: "E, no entanto, por que não dizer o que aconteceu?"
Por acaso você saberia me dizer em que texto se encontra esta frase?
Abraço!

 

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home