18.1.06

CAFÉ ALAMEDA

Ж

Se eu quisesse transformava-te num animal de preconceitos certos. A lírica serve-me para isso, no entanto há quem não perceba o trato amável que dispenso aos cegos. Porque a lírica – estou a esforçar-me – serve para experimentar-te a pele desocupada aí de céptico desejo: onde não fui não me conheço ainda. E sou eu quem espera o absinto-corpo, e sinto-te tão preocupada, tão incerta. Vem, temos o jardim, o ruído do mundo, dou-te a paz. A sociedade é um bicho gasto, meu amor, e o calor das ondas chega pleno de oxigénio e outras luzes.
Fecha a cortina.
O teu pai hoje não vem.
Hoje ninguém vem.
Aqui é esta sala, o travo quase doce da
melancolia.

Rui Costa

2 Comments:

At 12:20 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Bonito o arrepio sentido. Porque o sentido não tem razão nem a lógica deve explicações. Obrigada, Sr. Autor.

 
At 11:25 da tarde, Blogger etanol said...

É a constituição?

 

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