16.1.06

Voam leves as semanas.
Não sei o que sucedeu.
Como te olhavam, meu filho,
as noites brancas na prisão,
como ainda te olham
com olho de gavião,
quando te falam da morte
e da tua alta cruz.


1939, Primavera.
Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra.

Anna Akhmátova

Anna Akhmátova, pseudónimo de Anna Andreevna Gorenko, nasceu a 24 de Junho de 1889 perto de Odessa. Começou a escrever poesia com apenas onze anos. Os seus primeiros poemas foram publicados em Paris na revista Sirius. No entanto, a sua primeira colectânea de poemas, intitulada Vecher, foi publicada, cinco anos depois, em 1912. Após um primeiro casamento falhado, Akhmátova voltou a casar com Vladimir Chileiko, um distinto orientalista, e, pela terceira vez, com N. N. Púnine. A sua obra, marcada por longos períodos de silêncio, foi bastas vezes banida. Em 1940 torna-se membro da União dos Escritores Soviéticos, de onde seria excluída seis anos mais tarde. Condenada pelo regime estalinista como reaccionária, a poeta de Coragem (1941) sobreviveu traduzindo obras de Victor Hugo, Rabindranat Tagore e Leopardi. Só posteriormente à morte de Estaline a poesia de Akhmátova seria lentamente reabilitada. Em 1964 viajou até Itália para receber o prémio Etna-Taormina e no ano seguinte foi doutorada honoris causa pela Universidade de Oxford. Faleceu no dia 5 de Março de 1966, vinte anos antes da publicação dos seus trabalhos reunidos.

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