17.1.06

ESTE PÃO QUE VENHO ABRIR

Este pão que venho abrir foi outrora centeio,
este vinho sobre uma ramada desconhecida
ficou submerso nos seus frutos;
o homem em cada dia, em cada noite o vento
arrancaram a alegria dos cachos e derrubaram as searas.

Com o vinho, outrora o sangue de estio
palpitava na carne que ornamentava a videira,
outrora neste pão
era feliz sob o vento o centeio;
mas o homem despedaçou o sol e abateu o vento.

Esta carne que despedaças, este sangue
que traz a desolação pelas veias,
eram os cachos e o centeio
nascidos das raízes e da seiva dos sentidos;
este meu vinho que bebes, este pão de que te alimentas.


Tradução de Fernando Guimarães.

Dylan Thomas

Dylan Thomas nasceu no sul de Gales [Swansea] em 1914. Aos doze anos já escrevia e publicava poemas. Contra indicação paterna, abandonou cedo os estudos e dedicou-se ao jornalismo. A sua primeira colectânea de poemas apareceu em 1934 sob o título singelo de 18 Poems. Seguiram-se os Twenty-Five Poems, em 1936, com os quais ficaria estabelecida a sua reputação de poeta. Mudado para Londres, casou com Caitlin Macnamara. A vida de boémio acabaria por arruinar o casamento e a saúde do poeta. Apareceram as primeiras depressões, um esgotamento nervoso, a fadiga. Depois de uma estada em Oxford, Dylan Thomas partiu para a América. Faleceu em Nova Iorque, aos 39 anos, em Novembro de 1953.

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