25.2.06

CAPITAL

Casas, carros, casas, casos.
Capital
encarcerada.

Colos, calos, cuspo, caspa.
Cautos, castas. Calvos, cabras.
Casos, casos… Carros, casas…
Capital
acumulado.

E capuzes. E capotas.
E que pêsames! Que passos!
Em que pensas? Como passas?
Capitães. E capatazes.
E cartazes. Que patadas!
E que chaves! Cofres, caixas…
Capital
acautelado.

Cascos, coxas, queixos, cornos.
Os capazes. Os capados.
Corpos. Corvos. Copos, copos.
Capital,
oh! capital,
capital
decapitada!

David Mourão-Ferreira

David Mourão-Ferreira nasceu na cidade de Lisboa em 1927. Poeta, ficcionista, ensaísta, crítico literário, dramaturgo, tradutor e professor universitário, licenciou-se em Filologia Românica, em 1951, com uma tese sobre Sá de Miranda. É ainda enquanto estudante que participa no MUD Juvenil, que trava conhecimento com José Régio, António Manuel Couto Viana e Fernanda Botelho, que como actor e como autor tem actividade no Teatro-Estúdio do Salitre, que publica os seus primeiros ensaios, designadamente nas revistas Seara Nova e Ocidente, que dirige as folhas de poesia Távola Redonda (1950) e que publica o seu primeiro volume de poesia, A Secreta Viagem. Escreveu inúmeros ensaios e proferiu numerosas palestras. O ano de 1969 marca o início do programa televisivo Imagens da Poesia Europeia, confirmação de uma vocação comunicativa já anteriormente afirmada no programa radiofónico Música e Poesia e em Hospital das Letras, também da RTP, ambos em 1964. Em 1974-75 foi director do jornal A Capital e logo a seguir director-adjunto de O Dia, sob a direcção de Vitorino Nemésio; entre 1984 e 1986 foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores, entre 1984 e 1992 foi vice-presidente da Association Internationale des Critiques Littéraires e, em 1991, presidente do Pen Club Português. Foi secretário de Estado da Cultura no VI Governo Provisório (1976) e nos I (1976-77) e IV (1979) Governos Constitucionais. Faleceu em 1996 na cidade onde tinha nascido. »

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