23.2.06

AS UVAS

as uvas são sítios
onde a boca das mulheres
forma um lugar onde me
meto todo. entro nelas
como quem pisa as uvas
transformadas, libertando
a luz que coalha o olhar
e o atira aos pés. pisam-
se as uvas e eu sofro nisto
a respirar baixinho, até
que por fim anoitece.

vão da vindima a casa
pelo sono e o líquido
é mais grosso a fermentar
sozinho. o ar morno
é quente, sufoca se não
lhe dou o estertor que as
devora. e eu faço isso e
morre a noite inteira
devagar, e é impossível
não querer morrer assim,
tão enterrado nelas.


Rui Costa

1 Comments:

At 11:48 da tarde, Anonymous M. Amorim said...

és a minha uva

 

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