22.9.06

O baptismo

O baptismo marca-nos a alma, estigmatiza-nos, empobrece-nos, pois inicia-nos, por vontade alheia, num mundo ao qual não fomos nós a chegar. O baptismo compromete-nos com a servidão, é uma estratégia que consubstancia a delimitação do espírito humano, corrompendo a natureza criativa do homem na exacta medida em que lhe penetra as forças do desejo e da vontade para o subjugar à tirania de axiomas farpados. O baptismo é uma forma de mecanização do pensamento, dos sentimentos, do ser, da própria fé. Ele recolhe dos homens o que haja neles por reciclar, traça os contornos do mundo ao mesmo tempo que traça os contornos do lugar do homem no mundo. Mas ninguém poderá saber verdadeiramente qual é esse lugar. Ele promove assim a comunhão e o servilismo, a obediência e a sujeição, activando posturas, maneiras de ser determinadas, monografando universos humanos, cartografando deveres, vícios e virtudes, separando-nos uns dos outros. Jamais se unirão os homens sob o tecto do medo, da angústia e do sacrifício, da perpetração das condenações, das danações e das excomunhões. Pois o baptismo obscurece a verdadeira dimensão humana que há em cada indivíduo: a contradição, reduzindo ao absurdo aquilo que é a essência de todos nós, fazendo da nossa essência um alvo a abater. O baptismo, em todas as suas formas, entorpece-nos.

5 Comments:

At 10:21 da manhã, Anonymous Anónimo said...

A sociedade corrompe-nos. O baptismo corrompe-nos. Nós corrompemo-nos.

 
At 10:39 da manhã, Blogger MC said...

Se o baptismo for apenas um acto religioso, tens toda a razão. Sendo acto de fé, não é como dizes.

 
At 11:04 da manhã, Blogger Ernesto said...

"Our nada who art in nada, nada be thy name thy kingdom nada thy will be nada in nada as it is in nada. Give us this nada our daily nada and nada us our nada as we nada our nadas and nada us not into nada but deliver us from nada; pues nada. Hail nothing full of nothing, nothing is with thee."

-Winner take nothing, Ernest Hemingway

 
At 8:05 da manhã, Blogger Joaquim Barreira said...

Já foi dito: o baptismo é um acto de fé! Mas também é uma descoberta e uma libertação. Descoberta do nosso verdadeiro Eu, e abandono da escravidão do Ego e das inuteis ilusões do mundo. Há ainda uma outra mudança: a vida passa a ter uma prespectiva universal e eterna em substituição da perene e temporal.

 
At 12:14 da manhã, Anonymous Anónimo said...

santa ignorância...

 

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