25.2.07

Do Corpo Subtil

É claro que para nós tudo o que existe só existe porque temos um corpo físico. Não podemos daí inferir, porém, que se não tivéssemos um corpo físico nada existiria. Apenas que não existiria para nós. Quererá isto dizer que tudo o que existe em nós existe enquanto resultado desse corpo físico? Não. Isto quer apenas dizer que temos um corpo físico e que pelo nosso corpo físico passam até as coisas que transcendem esse corpo físico, como, por exemplo, o tempo (não me refiro à consciência desse tempo). A metafísica não se opõe, deste modo, ao corpo físico. Ela apenas perscruta e teoriza o que, passando por esse corpo físico, não depende dele. O tempo, por exemplo, é independente do corpo físico, não nos sendo possível afirmar o contrário. Sem corpo físico o tempo prosseguirá o seu caminho, a sua ficção. Nós é que não estaremos cá para dar conta disso.

20 Comments:

At 7:39 da tarde, Blogger manuel a. domingos said...

muitas vezes o meu corpo dá-me conta do tempo.

em relação à metafísica, um dia li: a metafísica serve para procurar numa sala escura um gato preto que não está lá.

 
At 7:44 da tarde, Blogger hmbf said...

e é capaz de ser verdade, isso que tu ouviste

 
At 1:07 da manhã, Blogger etanol said...

a música é uma arte que tem como corpo o tempo, ela é da ordem do invisivel, trespassa os corpos e instala-se no nosso sistema nervoso, na nossa intimidade.Por um lado, é a mais corporal de todas as outras, é aquela a reagimos de um modo mais imediato,por outro, é puro raciocinio abstrato, sabedoria, calculo matemático sonoro. É por isso que acho que a música é o mundo mais corporal e metafisico em simultaneo.
Maria João

 
At 8:11 da manhã, Blogger hmbf said...

«A verdadeira poesia, quer se queira quer não, é metafísica, e é precisamente no seu alcance metafísico, ou antes, na intensidade no seu efeito metafísico, que reside o seu valor essencial.» Antonin Artaud

 
At 12:21 da tarde, Blogger Pedro said...

Corpo, alma, metafísica, Goethe, "Fausto", "felo de se".

 
At 1:09 da tarde, Blogger DL said...

Um pouco mais longe e chegar-se-ia ao Blade Runner...
Existe tempo para os andróides?
A percepção do tempo depende da consciência? e seria possível uma consciência (de si) sem a percepção do tempo?

 
At 4:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

o tempo pode ser independente do teu corpo físico no sentido de continuar a existir nos corpos que não são tu quando fores desta pra melhor – outros corpos continuam a existir, então de que serve o exemplo do tempo? - mas não é independente do(s) corpo(s) físico(s) do universo. o tempo tem tanto corpo como a música. o ser humano é que tem mais facilidade em acreditar no que não existe, e a isso chama espírito, ou deus – e espera a salvação que vem de outro mundo ou plano. se reparares bem, tu tendes a dizer que o que não é dependente de ti ou que te sobrevive é do domínio da metafísica. se é assim, também podes chamar a um senhor chinês que tu nunca viste, espírito. ou dizer que os pasteis de nata que vão existir nas confeitarias daqui a 100 anos são metafísicos, já que te sobrevivem (e não podes comê-los).

Rui Costa

 
At 5:35 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Qual é que é a sensação de descobrir a pólvora a cada passo e disso fazer alarde?
Qual é que é a sensação de ser só ar?

 
At 5:37 da tarde, Blogger hmbf said...

pedro, estou farto de pensar no teu comentário e não consigo dizer mais que isto.

dl, boas questões. repara que não falo da consciência do tempo, falo num tempo do qual temos consciência mas que é independente de nós. falo do passar dos dias, desse processo de transformação que movimenta o mundo.

Rui, revejo-me em muito do que dizes mas não em absoluto. ao, ao contrário de ti, não consigo negar o que desconheço, apenas afirmo que o desconheço. o tempo que digo independente de mim é um tempo que, para mim, só existe porque tenho consciência dele, porque tenho um corpo, mas isso não me permite negá-lo como autónomo e independente de mim e dos corpos físicos do universo. basicamente, ele é um processo de transformação do mundo que nos escapa mas que procuramos, de uma qualquer forma, medir, interpretar, compreender. o nirvana de que fala o hinduísmo será, talvez, a crença na possibilidade de uma fusão com esse tempo, um estado de vibração independente do corpo. voltamos, porém, ao corpo. mas a facilidade de acreditar no que não existe é já acreditar que o que tu dizes que não existe não existe de facto. podes provar-me a inexistência, por exemplo, de deus? neste sentido, a metafísica será a busca de uma compreensão dos tais conceitos abstractos cuja prova depende de um percurso que a razão nos permita fazer até eles, até a esses conceitos. a existência de deus é bem mais provável que a sua inexistência, e olha que eu sou ateu – isto porque, até prova em contrário, ele existe, desde logo, em conceito. não falo em termos de salvação ou tretas do género, falo, como ruy belo, nesse conceito que nos permite dar a nome de divinas a coisas como um bom corpo de mulher ou um pastel de nata.

 
At 7:39 da tarde, Blogger etanol said...

Alguns corpos de homens são tão divinos como paisteis de nata!
Maria João

 
At 8:11 da tarde, Blogger hmbf said...

nesses casos prefiro sempre o pastel de nata

 
At 11:29 da tarde, Blogger margarete said...

estava eu aqui tão atenta à vossa conversa e esbarrei a ler a Mª João, li: Alguns corpos de homens são tão divinos COM paisteis de nata!
:P

Henrique, explicas-me isto «a existência de deus é bem mais provável que a sua inexistência, (...) isto porque, até prova em contrário, ele existe, desde logo, em conceito» sff?

 
At 11:31 da tarde, Blogger margarete said...

pastéis

 
At 11:54 da tarde, Anonymous carlos said...

i.
A metafísica é e não, não é.

ii.
a maior evidência da existência do tempo, é no corpo.

 
At 12:16 da manhã, Blogger hmbf said...

margarete, isso explica-se por si mesmo. deus é um conceito. logo, enquanto conceito existe enquanto conceito. como surgiu esse conceito na cabeça dos homens não sabemos, santo anselmo dizia que foi o próprio deus que o colocou em nós numa vida passada (argumento ontológico da existência de deus?). nietzsche dizia que ele era uma mera abstracção humana, uma necessidade de sentido fruto de uma fraqueza humana que é a própria necessidade de uma necessidade de sentido. etc. o que é certo é que existe enquanto conceito. tipo o pai natal. mas porra, eu não estou aqui para explicar nada. eu só estou aqui para ocupar o meu tempo metapsicofísico. :)

 
At 11:00 da manhã, Blogger etanol said...

A Maria João só escreve asneiras: paisteis em vez de pasteis.
Do tempo: Airon e Cronos, a eternidade e o tempo que nos devora os corpos como Cronos devorou os seus filhos.

 
At 11:18 da manhã, Blogger hmbf said...

também havia o cromos, que morreu com uma agulha espetada no braço :(

 
At 12:29 da tarde, Blogger margarete said...

'tá, eu capisquei isso, mas não deixa de me parecer exagerada a afirmação "a existência de deus é bem mais provável que a sua inexistência"
claro que o conceito existe, mas que forma de existência é "bem mais provável"?
(até porque há definições variadas sobre o que é deus - a forma - mas isso já entra noutro mundo tb mt vasto, eu sei)

como dizia o outro... "chapéus há muitos", conceitos tb... a existência do conceito, por si, vale à partida como um ponto (a mais) a favor da possibilidade de existência do seu "objecto" versus a inexistência?
percebes a minha incapacidade em aceitar a afirmação?




vá... não expliques, ocupa o teu tempo metapsicofísico 8-)

 
At 2:26 da tarde, Blogger etanol said...

sobre deus, vou perguntar ao mito, custuma ter boas respostas!
Maria João

 
At 8:49 da tarde, Blogger Mito said...

"Foda-se, pá! É preciso ser-se humano para não perceber que esta merda gira sozinha!"
in
Do Verbo à verborreia, ou porque é que Ele vive calado.
Edições No futuro, talvez...
Mito

 

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home