27.9.07

ANDA PACHECO!


O segundo a contar da esquerda chama-se João Pacheco. É rapaz de vários talentos, tem/teve um weblog (sempre mais morto que vivo), e foi a minha luz de esperança de hoje com estas palavras proferidas em discurso aquando da cerimónia de entrega dos Prémios Gazeta 2006: «Como trabalhador precário que sou, deu-me um gozo especial receber o prémio Gazeta Revelação 2006, do Clube dos Jornalistas. A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social. Parece-me que é um fim nobre. Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios a alguém, mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários. Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato. Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos. Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada - no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais - o que está em causa é a democracia. E no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa.» Ganda Pacheco!

10 Comments:

At 4:56 da tarde, Anonymous Anónimo said...

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ó meu caríssimo,
grande abraço!
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A "Bicicleta dos Dias Ímpares" espera assistência técnica há meses.
Só deixei de escrever porque deixei de conseguir aceder ao blogue.
Milagres da tecnologia...
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JP
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At 5:07 da tarde, Anonymous hmbf said...

Pacheco, tiraste-me as palavras da boca. Só que comigo foram 7 anos de formação, sempre na mesma instituição, com horários diferentes todas as semanas, a sujeitar-me a todo o tipo de circunstâncias. Sete anos, para nada. 150 € para as SS (Segurança Social) + IVA + IRS = contar os tostões ao fim do mês. A gasolina pela morte, a água, o gás, a luz, as telecomunicações, o básico para que a profissão possa ser exercida em condições. O básico. Depois ainda querem que um gajo poupe e que tenha filhos. Tenho duas, teria seis houvesse condições. Em suma: obrigado pelo teu discurso. Revejo-me, senti-me. Abraço e saúde,

 
At 5:24 da tarde, Anonymous sara monteiro said...

Não sei se fique consolada se ainda mais deprimida. Sempre que se fala em Segurança Social começo com palpitações. Mandaram-me umas cartas e até já me telefonaram para casa. Felizmente, nunca estou.
Que será que me querem? Eu não ganhei prémio nenhum.

 
At 6:16 da tarde, Blogger manuel a. domingos said...

ele não é filho do grande Assis Pacheco?

 
At 7:42 da tarde, Anonymous Anónimo said...

não me consola nada a constatação de algo que também eu tenho sentido na pele, e saber que pessoas como voces estão na mesma situação deixa-me muito, muito preocupado, se um gajo fosse calão e não quisesse fazer nenhum, agora assim, é difícil de entender,
nelson

 
At 9:55 da tarde, Blogger etanol said...

Grande Pacheco, assim é que é!
Maria João

 
At 10:06 da tarde, Blogger Luz do amanhecer said...

Palavras para quê? Ou comentários para quê? Quem vive esta experiência disse tudo, eu que estou do outro lado dos precários não sei acrescentar mais nada!

 
At 11:22 da tarde, Anonymous eduardo barrento said...

E haverá muita gente (nomeadamente colegas dele) a dizer que ele ainda tem muita sorte em ter trabalho e em receber...

 
At 10:40 da manhã, Blogger c said...

Por causa dessas e de outras, fui trabalhar para as obras.

Realmente, não poéticamente.

O meu contributo para os elevados níveis de corrupção, construção desordenada, ilegal, em zonas protegidas e afins, é neste momento enorme.

Espero a redenção num futuro, pouco próximo, pois será na hora da morte... ou na hora que a antecede.

 
At 11:52 da manhã, Anonymous Anónimo said...

pois, os prémios tb servem pra calar e reproduzir discurso dominante.é preciso virá-los do avesso.
Rui Costa

 

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