3.3.09

DIA 62

Juro pela minha saúde que acordei a pensar que gosto muito de alguns filmes de Godard, que o moralismo reaccionário de John Ford me diverte, que Hitchcock está para o absurdo como Mizoguchi para a luz, que Woody Allen nunca me fez rir tanto, rir de rir dentro do riso, como Pier Paolo Pasolini ou João César Monteiro, que a minha vida mudou radicalmente depois de ter visto O Sabor da Cereja, que o neo-realismo italiano produziu alguns dos mais belos filmes de sempre e que os filmes de Mike Leigh são os que mais se aproximam disso na actualidade, que Frank Capra bem poderia chamar-se Frank Crápula que ninguém notaria a diferença, que Orson Welles foi um génio e David Lynch um gene egoísta, que as comédias românticas não me chateiam tanto quanto os musicais, que os tipos do Dogma 95 não são assim tão dogmáticos, que a minha vida poderia ter sido outra se não tivesse papado tão cedo o spaghetti de Sérgio Leone, que Táxi Driver faz-me mal aos nervos, que Pedro Costa é o melhor realizador português da actualidade depois de Manoel de Oliveira, que os filmes de Pedro Almodôvar são giros como as mulheres muito pintadas, que Vertov, Eisenstein, Pudovkin, Tarkovsky e Sokurov são apelidos que metem respeito, que Fritz Lang é do melhor que a Alemanha nos deu, que Nicholas Ray e Elias Kazan foram, cada um à sua maneira, rebeldes sem causa a patinar no lodo dos cais, e que apesar disto tudo e de muito mais que o tudo que isto é quem me tira Ingmar Bergman é como se me desmembrasse.

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