30.7.05

POÉTICA

É o silêncio que deves escutar
o silêncio por detrás das alusões, das elisões
o silêncio por detrás da retórica
o silêncio do que se chama a perfeição formal
Isto é a busca do não-sentido
até no próprio sentido
e reciprocamente
Ora tudo o que com arte escrevo
justamente é sem arte
e todo o cheio é vão
Tudo o que escrevi
está escrito entre as linhas


Tradução de Vasco Graça Moura.

Gunnar Ekelöf

Gunnar Ekelöf nasceu em Estocolmo, Suécia, em 1907. Ausentando-se com frequência do seu país, estudou em Inglaterra as civilizações orientais, passou vários períodos em França, pensando mesmo abandonar a pátria definitivamente, esteve em Itália, Grécia, Turquia, etc. Aquando da estadia em Paris, onde estudou música, entrou em contacto com o cubismo e com o surrealismo. Publicou o seu primeiro livro em 1932, bastante hostilizado pelo seu niilismo de cariz modernista: «dá-me veneno que me mate ou sonho de que viva». Com uma vida emocional bastante atribulada, Ekelöf rendeu-se aos prazeres do álcool. Trabalhou como crítico literário no Social-Demokraten e fundou a revista avant-garde Karavan. Foi sempre um outsider, sofrendo por isso de ostracismo e incompreensão permanentes. Faleceu no dia 16 de Março de 1968, deixando uma obra rica em referências filosóficas, míticas e históricas.

2 Comments:

At 11:13 da tarde, Blogger Gi said...

Vim aqui parar nem sei como e gostei tirei-lhe este poema bem como a biografia do autor que desconhecia.

Boa noite e desculpe a ousadia, gostei mesmo!

28.3.07

 
At 2:36 da manhã, Blogger redonda said...

E eu vim aqui parar agora numa pesquisa no Google pelo Ekelof e achei engraçado porque já vinha aqui antes sem ser pela pesquisa...:)

 

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