30.9.06

An Inconvenient Truth

Fui ao Nimas ver An Inconvenient Truth, o documentário de Davis Guggenheim com o ex-futuro presidente dos EUA – Al Gore. Enquanto comprava o bilhete fui informado da presença na sala de algumas visitas de estudo. Se bem sei, o documentário está em exibição no Nimas, no Amoreiras e no El Corte Inglés. Gostava muito de levar os meus formandos a ver este filme, mas para tal teríamos de conseguir um orçamento que suportasse a deslocação a Lisboa – aluguer do autocarro, gasóleo, portagens, bilhetes. É isto o ensino massificado, o direito à informação, a balela do ensino igual para todos. Uma treta! Os meninos de Lisboa poderão fazer do ensino uma festa, os restantes que aguardem pelo DVD. Desde que me lembro numa sala de aula, na qualidade de professor ou de formador, que abordo as questões ambientais. Geralmente começo pelo visionamento, seguido de debate, de Os Respigadores e a Respigadora, o excelente documentário de Agnès Varda. Fazemos assim a ponte entre os vícios da sociedade de consumo, consumismo desenfreado e desperdício, e as questões ambientais mais prementes, nomeadamente a escassez de recursos e a necessidade de reciclar. Depois partimos para a abordagem directa dos problemas ecológicos mais paradoxais. Os formandos elaboram exposições sobre energias renováveis, sobreaquecimento global, poluição dos solos, escassez de água potável, etc. Estes mesmos temas serão problematizados numa perspectiva de questionamento acerca do que poderá cada um de nós fazer para tornar o ambiente em que vivemos mais aprazível. A parte mais teórica surge então, com a análise de textos de Hans Jonas (conceito de contrato natural) e de Peter Singer (acerca da possibilidade de uma ética ambiental). Se ainda restar algum tempo, amenizamos o ambiente com o visionamento de Erin Brockovich, um filme de Steven Soderbergh que sempre estimula a perseverança e a vontade de mudar alguma coisa. Este Uma Verdade Inconveniente parece-me, então, um excelente documento didáctico para acrescentar à planificação anterior. Quando digo acrescentar, quero dizer também alterar, renovar, aperfeiçoar, na medida do possível. É um documento interessante, com uma linguagem bastante acessível, a tocar no essencial sem grandes pruridos políticos. É certo que a montagem não é das melhores, tornando por vezes descarada a intenção de uma auto-promoção que, do meu ponto de vista, acaba por ser legítima. Mas vale de facto a pena ouvir Al Gore e aprender alguma coisa sobre algo que já não é apenas um problema ambiental, na medida em que é cada vez mais um problema da humanidade enquanto parte interessada de um todo, o ambiente, no qual se inclui. Vou esperar pelo DVD.

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