27.11.06

RUA MAGRA


Os punks da rua amamentam os cães porque os cães não amam o capital. Os cães amam os paralelepípedos - se lhes pedem patinha porquanto osso de roer. Quando eu desço acorrem-me aos braços por abelhas extintas, arranjos florais luzentes. Luciluzem-lhes os cabelos, digo, têm infâncias remotas com peixinhos. Eu gostava de gothic, heaven’s rua Fernão de Magalhães 120 Porto. Vinha do negrume a um prato de arroz com morangos, que artifício lindo. O meu degredo e o teu. States Coimbra, hoje strip club e quando trafiquei o disco, não via nada. Deixei o corpo ao fundo da garagem. Mais tarde estava lá, um pouco afundado em tratamento esconso, nil remorso. Nihil. Depois de tudo, candeeiros, bitaites, mulheres a fio na calçada. Foram colares, móveis, caixas de carregar os que ainda era condição de mover. E pousadas, carros, óculos partidos de ver até ao outro mundo. Um aquário ao rés do jardim, completamente investido nos destroços, na porcaria da tua namorada. Morta. O desplante! Desocultar as sombras assim tão devagarinho. Se queres, vais ter. Sequelas baixas, um torpor de morrer, o cão que ainda sorri ao arremesso do mundo. Vidros coloridos, a terra e o céu se tu me tocas. Uma coisa tão parola, tipo, não sei___
alegria imensa pairando sobre todas as coisas


Rui Costa

3 Comments:

At 10:13 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Com uma tal rua, não existe monotonia que bata à porta:)
PB

 
At 10:42 da manhã, Anonymous manuel a. domingos said...

grande, rui!

 
At 1:41 da manhã, Anonymous Anónimo said...

curtam, bichos

Rui Costa

 

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