MULTAR A VERDADE
Ouvi ontem na SIC uma notícia que dava conta de uma indemnização de 75 mil euros que o Supremo Tribunal de Justiça condenou o jornal Público a pagar ao Sporting. Em causa está uma notícia publicada pelo diário português, datada de 2001, ao que parece verdadeira. Ainda assim, o Supremo condenou o jornal por não haver concreto interesse público na divulgação da mesma: «É irrelevante que o facto divulgado seja ou não verídico para que se verifique a ilicitude a que se reporta este normativo, desde que, dada a sua estrutura e circunstancialismo envolvente, seja susceptível de afectar o seu crédito ou a reputação do visado». A ser isto verdade, temo agora também eu estar a incorrer no risco de uma multa por divulgá-lo aqui. Trata-se de mais um inexplicável atentado contra a liberdade de imprensa, estranhamente olvidado pela malta que anda para aí entusiasmada com a licenciatura do PM. Eu, pelo menos, não vi por aí nenhuma histeria vexatória das que é costume observar em casos similares. Sou do Sporting e não gosto do Público, mas sinto-me incomodado com uma situação que me parece grave por abrir um estranho precedente: sempre que a verdade afecte o crédito, o bom-nome ou a reputação de alguém, deverá ficar silenciada nas gavetas das redacções. Isto faz sentido? Um país que manda calar a verdade não pode ser um país saudável.
6 Comments:
Muito grave o ocorrido, lembra o que ocorreu por cá quando um juiz idiota mandou tirar o YouTube do ar por causa do vídeo daquela puta.
Vou criar um link para o seu blog.
É muito preocupante a existencia de censura legal!
Maria Joao
Escandaloso! E não é que há «juristas» que dizem que os velhadas do Supremo é que sabem e é que têm autoridade para determinar que verdade pode ou não pode ser divulgada? (Fui ver blogs onde escrevem e comentam «juristas» e que não vou aqui publicitar).
e se esta merda faz jurisprudência?
A sociedade está de pernas abertas a isso: verdade sim, mas devagar e com muito respeito pelo crédito e bom nome dos que o têm, mesmo prevaricando.
FAG
"Sou do Sporting e não gosto do Público, mas sinto-me incomodado [a] situação"
Idem aspas.
Há sinais muito preocupantes acerca da liberdade de expressão: por um lado o Público esta cada vez mais ao serviço do dono, e cada vez menos a fazer bom jornalismo, por outro é grave, muito grave, que um juíz tenha decidido assim.
fag, abertas ou não, sei que a sociedade está de pernas para o ar.
eduardo barrento, aqui acho que o problema nem é de liberdade de expressão (essa cova onde cabem famílias inteiras). aqui é mesmo liberdade de imprensa.
Certo, Henrique, é "liberdade de imprensa".
Mas afinal o SCP desmente...
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