7.5.07

NOJO

A discussão que para aí vai sobre a criança desapreciada no Algarve mete-me nojo. Toda essa discussão me mete nojo. Podem acusar os media portugueses de subserviência, podem decretar o servilismo da polícia portuguesa, podem perder-se nas mais variadas conjecturas. E se fosse assim? E se fosse assado? Nada disso importa neste momento, porque neste momento só importa descobrir o paradeiro de uma criança desapreciada. Mas é curioso verificar que os génios para quem os outros são sempre os palonços do costume não resistem à mais típica e estampada atitude tuga: perante uma tragédia, preferem primeiro discutir os pormenores. Enfim, como não têm nada para resolver sempre se entretêm a discutir. Concedamos-lhes o beneplácito da inutilidade.
Adenda: A ler, em versão alternativa, três posts do Lutz Brückelmann: Da Paloncice, Madeleine: O dever público e a solidariedade privada, Xooo?. Acrescentar ainda que, para que fique bem claro, em nada me incomoda a discussão, o debate, a crítica, a especulação, etc. A minha questão é apenas esta: não é a altura certa para “tirar nabos da púcara”. Para já, acho muito bem que a polícia se esforce ao máximo para encontrar a criança. Se noutras alturas não se empenhou da mesma forma, isso é irrelevante neste momento. Quantos aos media, são os media de sempre (depois do que vi aquando da tragédia de Entre-os-Rios e durante os incêndios de 2003 e 2005 já nada me espanta). Só lhes dá crédito quem quer.
Adenda2: Mais um post do Lutz, desta feita a retractar-se. Aproveito ainda para felicitar Eduardo Sá e Isabel Stilwell, estejam lá onde estiverem, pela excelente intervenção de ontem no programa que mantêm na Antena 1. Tocaram na ferida, ao censurarem veementemente os sabichões da ética e da perfeição que, com a facilidade e ligeireza costumeiras, vêm para os media crucificar os pais da menina desaparecida, acusando-os de negligência, como se não fosse já bastante a dor que neste momento sofrem. Pelo menos, razões não temos para pensar o contrário.
Adenda3: Corrijo: uma hiena (Luís Villas-Boas acusa pais de negligência) e um abutre (João Miguel Tavares: A não ser que, em nome do supremo amor às boas maneiras, se faça como os paizinhos da pequena Madeleine: deixá-la em casa a dormir com os irmãos, que é para não incomodar o jantar.) Vergonha na cara é que já não há.

2 Comments:

At 7:46 da tarde, Blogger alice said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 7:46 da tarde, Anonymous Leonor Bento Fialho said...

Exactamente! O que importa realmente é encontar a criança desaparecida e usar para isso todos os recursos disponíveis e indisponíveis. Que mania "portuguesa" de criticar pela destruição. Preso por ter cão e preso por não ter! As culpas, punições e responsabilidades parentais imagino que já as devam ter feito os próprios e essas não só bastam como podem já ser demais.

 

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