11.10.07

A GOTA DE ÁGUA

Quero dizer-te numa canção sem mágoa
A história tantas vezes repetida:
De uma nuvem tomba uma gota de água
E, humilde, contempla o imenso mar da vida.
E grita-lhe o oceano:
«não cores da tua pequenez, não escondas o teu rosto
Tu viste o crepúsculo, a aurora
Viveste no coração do mosto.
Viste os campos, as planícies, os desertos
Sobre a folha da árvore, no dorso das nuvens
Os raios de Sol te deram brilho
Nos espaços abertos.
Ora amiga das flores alteradas da pradaria
Ora confidente dos pássaros inebriados pelo dia.
Ora dormindo nas vinhas de um sono inquieto
Ora serena repousando por terra num sonho de insecto.
Nasceste da minha vaga alterosa
A vida te dei e eis que voltas para mim.
Repousa no meu seio silenciosa
Brilha como jóia no meu espelho, enfim.
Torna-te pérola,
Fica para sempre nas minhas profundezas bela
Sê mais deslumbrante do que a lua
Sê mais refulgente que o brilho de uma estrela.


Versão de Adalberto Alves.

Mohammad Iqbal

Mohammad Iqbal nasceu em 1877 em Sialkot, actual Paquistão. Poeta, filósofo e político, estudou em Inglaterra e na Alemanha. Publicou a sua primeira colecção de poesia, Asrar-e-Khudi, em 1915. Escreveu em persa e urdu, sendo de 1924 o seu primeiro livro nesta língua: Bang-e-Dara. A sua importância atingiu tais dimensões que a data do seu nascimento tornou-se feriado no Paquistão. Morreu em Lahore no ano de 1938.

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