14.11.07

O FIM DO EROTISMO

Fritávamos cinquenta quilos de batatas para o dia seguinte, porque depois não teríamos tempo. Era no tempo das arcas de madeira, forradas com um tecido impermeável, cheias de gelo, para a cerveja ficar fresca. Já havia uma máquina de café, na qual ficávamos de plantão das sete às quatro. Cinco dias sem dormir, sempre a servir bifanas, cafés, sandes, copos de vinho, cervejas, petiscos. Fazíamos também grandes panelas de dobrada. O povo chegava de carroça, nos autocarros, a pé, de bicicleta. Alguns já vinham de carro, mas eram poucos. E pelo caminho cada casa era um tasco onde a malta parava para beber mais um… para o caminho. De tudo se vendia aqui. Roupa, instrumentos para o trabalho, plásticos, animais, água. A malta que tinha poços vendia bilhas de água. E houve também quem vendesse passos de dança, memórias feridas, esse reboliço todo a esvanecer para dentro das paredes de uma grande superfície comercial. Agora é mais higiénico, mas muito menos erótico.

2 Comments:

At 5:17 da tarde, Anonymous sara monteiro said...

:)

 
At 6:26 da tarde, Anonymous rum traçado said...

Sim, não é erótico e sim pornográfico. Tem a obscenidade da compra e venda com marketing, frieza e filhadaputice pelo meio.
As feiras e romarias do género, onde se cantava, comia,namorava, dançava e pela calada se fodia como deve ser muitas vezes sob a ramaria, à moda do Minho, agora são coios de mercandejo e de beatice. Com raras excepções.

 

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