7.3.08

INFELIZ


Tenho evitado a polémica sobre a avaliação de professores, polémica que se arrasta há demasiado tempo, quanto a mim sem razão que o justifique, e sem fim à vista. Continuarei a evitá-la até me ser possível, apesar das dezenas de e-mails recebidos nos últimos dias, todos em favor da classe docente, muitos deles de gosto e lógica bastante duvidosos. Quero no entanto que fique claro o seguinte: sempre fui a favor da avaliação dos professores. Já escrevi sobre isso no Insónia. Em dez anos de ensino, repartidos pela escola pública, privada, formação profissional, explicações, etc, deparei-me com situações aberrantes que só um completo laxismo dos professores tornou possível. Também tive colegas muitíssimo competentes, gente disponível, inteligente, dinâmica e cheia de vontade. Acredito que a avaliação de professores servirá para penalizar os incompetentes (não se pode insistir na demagógica ideia de que não os há) e, embora não tanto como eu gostaria e como deveria ser, valorizar os competentes. É óbvio que nada disto tem que ver, necessariamente, com a qualidade do ensino. Existirão sempre bons e maus professores, sendo que os maus, se não forem muitos, até podem ser bastante úteis (não estou necessariamente a ironizar). A questão é que os professores não podem continuar sem ser devidamente avaliados (nos dois anos que trabalhei na escola pública, fui avaliado uma única vez: no ano de estágio; nos restante anos, quer no privado, quer na formação profissional, o meu trabalho foi sempre avaliado), impondo-se que, insatisfeitos com os métodos avançados pelo Ministério, os professores sugiram alternativas. Na ausência de alternativas, esperarei para ver no que darão os métodos propostos pelo Ministério. Até lá, chamo a vossa atenção apra a imagem que me chegou hoje por e-mail. Porque tenho alguns pruridos nestas matérias, apaguei o rosto do jovem. Esta imagem é bem simbólica da demagogia que enferma toda a polémica. É uma imagem que não abona em favor de nada. O rapazinho até pode estar a ser sincero, até pode ter razão. Eu também gostava muito que a minha mulher ficasse em casa a brincar com as minhas filhas enquanto eu cumpro o meu dever de pai: trabalhar para sustento da família. Isto já não se usa, meus amigos. Pensar que este jovem é filho de um professor, assusta-me. Mais me assusta que os professores se sirvam deste jovem para propagandearem as suas causas, desta forma aberrantemente sentimentalista.

3 Comments:

At 2:08 da tarde, Blogger etanol said...

É esperar para ver as consequencias, tens razão, se calhar as avaliações dos professores é um mal que vem por bem, é esperar para ver a aplicação, se calhar tem bons efeitos. Eu tenho reagido de um modo muito impulsivo a tudo isto. Também não estou a gostar das reacções publicas dos professores, alias, não estou a gostar de nada, é espera para ver.

 
At 3:56 da tarde, Anonymous Carlos Araújo Alves said...

Exactamente, caro Etanol, também não estou a gostar de nada, mas parece-me (como pai e cidadão já que não sou nem nunca fui professor) que esta onda de indignação tem mais a ver com um acumular de desconsiderações por parte do ME do que com a avaliação ou a gestão escolar.
Quanto à avaliação propriamente dita, tenho uma convicção mais firme derivada do meu percurso profissional - não há empreendimento que funcione sem avaliação, mas esta deve ser construída para avaliar objectivamente e incentivar os avaliados a melhorarem.
Ora, se o mister do professor é que os alunos aprendam, que evoluam, não vislumbro como se poderá avaliar um professor se não houver uma criteriosa avaliação da aprendizagem dos alunos, todos os anos e a todas as disciplinas.

 
At 1:26 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Não percebo porque há tanta necessidade de comentar/criticar a classe docente e de referir sempre que é de contra vontade fazê-lo.. De facto, é importante avaliar mas será que até agora a avaliação não existia??
Incomoda-me tantas pessoas desinformadas terem a necessidade de se sobrepor ou valorizar desta forma.. Enfim, é o que temos!

 

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