14.4.08

LABIRINTO #20

“ Abri-o ao acaso. Os caracteres eram-me estranhos. As páginas, que me pareceram gastas e de tipografia pobre, estavam impressas a duas colunas à maneira das bíblias. A mancha do texto era densa e ordenada em versículos. No canto superior das páginas havia algarismos árabes. Chamou-me a atenção o facto de uma página par ter o número (digamos) 40514 e a ímpar seguinte 999. Voltei-a; o verso estava numerado com oito algarismos. Tinha uma pequena ilustração, como é hábito nos dicionários: uma âncora desenhada à pena pela mão pouco hábil, diríamos, de uma criança. Foi nessa altura que o desconhecido me disse:
- Olhe bem para ela, porque não voltará a vê-la.”

Jorge Luís Borges, “O Livro de Areia”, Editorial Estampa, p-134.

Maria João

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