2.4.08

O ESTADO DA LADROAGEM

Um mês depois de ter passado um recibo verde por um serviço prestado a uma Câmara Municipal, recebo hoje um telefonema dos serviços dessa mesma Câmara informando-me de que é necessária uma declaração em como não tenho dívidas ao Estado para que o pagamento possa ser efectuado. Fui informado de duas hipóteses para a obtenção da dita declaração: facultar aos serviços da CM o acesso aos meus dados fiscais através do sítio das Finanças ou pedir uma declaração junto das Finanças, a qual terá um custo de 12 euros. Como não estou na disposição de fazer nem uma coisa nem outra, agradeci, então, que me fosse devolvido o recibo para que o pagamento ficasse sem efeito. Provavelmente não imaginarão como me fazem falta os 250 euros em causa, mas muito menos imaginarão a falta que me fazem paz e descanso num país que só persegue quem trabalha. Que praticamente metade do que ganho vá directamente para o Estado, ainda tenho que aguentar (o cu é grande). Agora que me façam pagar declarações para que uma Instituição Pública à qual prestei um serviço me possa pagar, sem que antes tenha sido informado da necessidade de ter essa dita declaração em mãos, é que não posso aguentar de forma alguma. Até porque a situação tem algo de tão absurdo, caricato, ridículo (250€?) que o próprio Kafka poderia nela inspirar-se para, pelo menos, um conto bem desenvolvido. Vejamos: neste preciso momento possuo, de facto, uma dívida. Trata-se de uma dívida por atraso na reposição do IVA, uma dívida que esteve em discussão porque o atraso, menos de 12 horas, foi motivado por dificuldades de acesso ao sítio das Declarações Electrónicas. Deveria o valor do imposto ter sido reposto no dia 15, foi no dia 16, por razões já apontadas. Consequência: 148 euros de multa (é no que dá guardar tudo para a última da hora). A questão é que essa mesma dívida não pode ser paga de imediato. Porquê? Não só porque a DGI me fez chegar duas notificações de aplicação da coima com referências diferentes, mas porque várias entidades às quais prestei serviços se atrasam consecutivamente no pagamento dos mesmos enrolando-se em burocracias várias. E assim vamos andando, muito entretidos com políticos e políticas, telemóveis e ronaldos, neste país de extorquida cidadania. O Estado é ladrão, o cidadão come e cala. Contra um ladrão tão poderoso, duas hipóteses: partir para a bomba ou fugir. Escolham.


Entretanto: Os bancos portugueses obtiveram em 2007 lucros de 2,4 mil milhões de euros, mais 9,1% que no ano passado. Os impostos pagos sobre os lucros caíram 28,7%, tendo a banca pago no ano passado 388 milhões de euros, referentes apenas à tributação dos resultados. Face a estes números, a taxa de IRC efectivamente paga pela banca rondou os 13,63%, relacionando o valor dos impostos sobre os lucros (correntes e diferidos) com o resultado apurado antes de impostos. Em 2006, esta taxa tinha sido de 19,42%. As empresas em geral são taxadas em 27% (já incluindo derrama).

4 Comments:

At 5:24 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Era merecido partir-se para a bomba, mas ainda não. Haja calma.Arrolem-se vontades. Contem-se espingardas.Difunda-se a boa palavra. Depois, sim.
Os tempos certos chegarão.

Snooker

 
At 3:24 da tarde, Blogger Alvaro said...

Bomba. Bomba. Bomba. É que a gasolina está pela hora da morte para os coqueteiles molotoves.

 
At 7:02 da tarde, Blogger iminente said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 7:05 da tarde, Blogger iminente said...

É o nosso ESTADO Providente....come tudo até ao último dente!!!

 

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