2.6.08

INÉDITOS DE JORGE AGUIAR OLIVEIRA #53

FORA DO PENICO


Prevendo chegar galhofando para me atingir,
sobre a luta dos monges pela independência
do Tibete, preparo-me para ripostar a carga
mijando-lhe no lustre dos sapatos e gritar
em surdina de punhos vibrantes contra
a globomassificação das chinesices.

Quando se senta à minha frente de farda
governamental, vomito Estado, algemando
um desvairado desejo não só de lhe mijar
para cima das palavras manipuladoras
de enganar sonâmbulos perpétuos como
para dentro da boca. E ao mijar-lhe, mijar
sobre tudo o que tresande a ordem do Estado,
máquinas de controle e vai dentro da televisão,
do computador, do pontógrafo, do controlador
de passes sociais, do gps, da máquina
de venda de bilhetes à caixa multibanco,
nas videovigilâncias das esquinas das ruas,
dos cafés, transportes públicos,
nas pulseiras electrónicas...

provocar curtos-circuitos, explosões e pó.
Podes chamar-me terrorista que eu faço
pio pio, lanço alpista e mijo-te em cima.

Se começar a urinar pelas pernas abaixo
é sinal dos chuis a virem à carga e eu estar
ficando velho demais para uma ensanguentada
mija. Nada de aflições dentro do ecrã do terror,
onde a arroba é a camuflagem do A anarquista.
A tua tranquilidade de saberes

nunca desertar de ser solidário contigo,

conforta-me.

Sabes não crer que o mundo esteja a chegar
ao fim. «Tudo havia mudado... menos
o espirito humano.» É certo estar em trânsito
a hora do espectáculo do fogo atómico
e lá virá outra Arca de Noé, um novo plágio
das Tábuas da Lei – já à época roubadas –
ditando regras antigas para novos artefactos
proféticos. Renovadas buganvílias surgirão,
como volúpias, valados e versos de refúgio.

A renovação natural dos tecidos orgânicos
decifra a verdade do eterno, do novo,
girando o universo, como o amor
ter duas faces: a minha e a tua.

É urgente mijar cruzado fora do penico
sobre a China, para não ficarmos paranóicos
de vencidos. Sei custar muito mijar sobre
a sombrinha, o papel, o leme, a bússola,
até sobre a pólvora mas, a guerra à guerra
é um fado impresso num calendário
para lembrar invenções de outros
tempos de outras grandezas.

Jorge Aguiar Oliveira

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