17.6.05

DÉCIMA INGÉNUA

Oh lembrança de infância, e leite alimentício,
E oh adolescência e o seu esplendor de início!
Nos tempos de garoto era já meu labor
- Pra evocar a Fêmea e embalar a dor
De ter um pirilau, imperceptível ponta
Irrisória, prepúcio imenso aonde aponta
O esperma que há-de vir, ó sebácea miragem,
Bater punheta com essa bonita imagem
De uma suave pele de ama de menino.

Pois inda hoje bato a punheta sozinho!

1890

Tradução de Luiza Neto Jorge

Paul Verlaine nasceu na França em 1844. Foi, por dois breves anos, estudante de Direito. Leitor de Baudelaire aos 14 anos de idade, deixou-se seduzir rapidamente pela boémia dos cafés parisienses e pelo consumo de álcool. Devoto da bebida e da escrita, publicou o seu primeiro livro – Poèmes Saturniens – decorria o ano de 1866. Apesar das tendências homossexuais, casou-se em 1870. Para a história ficaria, porém, a relação apaixonada com Arthur Rimbaud. De temperamento violento, é difícil determinar, mas fácil de imaginar, o quão sofrível terá sido o relacionamento com a sua mulher. Abandonou a família para viver com Rimbaud, em Londres e Bruxelas. A relação terminaria com Verlaine a disparar sobre o poeta das Iluminações. Preso durante 18 meses, acabaria por se converter ao catolicismo mais tarde. Foi, entretanto, publicando poemas, pequenas biografias e contos. A saúde não resistiu aos excessos eróticos e alcoólicos, obrigando o poeta a passar largos períodos hospitalizado. Passou os seus últimos anos na companhia de prostitutas e de um homossexual de nome Bibi. Morreu em Paris, no dia 8 de Janeiro de 1896.

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