19.6.05

JAZES, POETA

Jazes, poeta, em teu discurso
pífio quando tentas poéticas
alheias. A meias vou tentar,
e a ti tentar dar melhor ar,
outra tristeza alegre. Jazes poeta,
mas vá lá!, vá lá!, ainda resolves
as palavras cruzadas desta vida.
Vidinha airada, como assim convém
a quem no campo tem um batatal.
Mas, olha lá bem!, bens ao luar
não tens, pois na voragem foram
eirós, pinhais e bacelinhos. O canastro
vigilante – andor! – também se foi.

Trovas de uma história – tanto lastro!

Eduardo Guerra Carneiro nasceu em Chaves em 1942. Estudou História, mas cedo se dedicaria por inteiro à poesia e ao jornalismo. Trabalhou em várias publicações da imprensa escrita, tais como os jornais O século, República, Diário Popular, entre outros. Publicou o seu primeiro livro de poesia em 1961, O Perfil da Estátua, ao qual se seguiriam mais 12 títulos, o último dos quais em 2001: A Noiva das Astúrias. A par dos livros de poemas, deu também à estampa dois livros de crónicas. De espírito inquieto, amigo do copo e devoto de um certo retiro - morava no Bairro Alto -, nunca conviveu muito bem com o teimoso esquecimento a que a sua obra foi votada ao longo dos anos. Suicidou-se em Lisboa, em 2004.

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