27.12.05

As melhores ideias vêm-me quando o
telefone toca sem parar. Não tem graça
sentires-te louco – quando o teu
amor parte. Mais um problema para a minha cabeça:
A posse. Fabrico a minha própria espada
de Damasco. Nada fiz c/ o tempo.
Uma criança pequena salta pelo palco brincando
c/ a Revolução. Enquanto lá fora o
Mundo espera infestado de duros bandos
de assassinos & loucos de verdade. Suspensos
das janelas como que a dizer: sou forte –
amas-me? Só esta noite.
Amor de Uma Noite. Um cão uivando & ganindo
junto à porta de correr em vidro (porque não posso
estar lá dentro?) Um gato mia. O motor de um carro
embala com dificuldade – protesto
seco e áspero do carbono. Pouso
este livro - & começo o meu próprio livro.
Amor pela rapariga gorda.
Quando chegará ELA?

James Douglas Morrison

James Douglas Morrison nasceu em Melbourne, Florida, em 1943. Mais conhecido como vocalista dos The Doors, Morrison é autor de uma obra poética que iniciou ainda antes do seu interesse pela música. Estudante de teatro e cinema, as suas influências literárias fizeram-se notar em muitas das composições da banda de The End, When The Music's Over, The Soft Parade ou The Celebration Of The Lizard. De certo modo, pode-se mesmo afirmar que a música foi para James Douglas Morrison um veículo de expressão da sua poesia. O consumo exacerbado de drogas afectaram fatalmente o percurso de Jim Morrison, acabando este por falecer em Paris, em 1971, onde se tinha recolhido com o intuito de se dedicar a uma carreira exclusivamente literária. O seu primeiro livro, Os Mestres e as Criaturas Novas, foi publicado em 1971 e encontra-se traduzido para português, por Paulo da Costa Domingos, na colecção Rei Lagarto, n.º 14, da editora Assírio & Alvim. Em 1970 Morrison havia já editado em plaquete, numa edição de 200 exemplares, Uma Oração Americana, texto editado em Portugal na mesma colecção, n.º 1, juntamente com outros escritos como, por exemplo, a Ode a L.A. com o pensamento no falecido Brian Jones, poema distribuído pelo público em alguns concertos dos The Doors pouco depois da morte do mítico membro dos Rolling Stones, em 3 de Julho de 1969. A maior parte da sua obra poética foi editada postumamente.

3 Comments:

At 11:41 da manhã, Blogger Paula Franco said...

não um poeta, mas o poeta; é esse o verdadeiro e mais belo lado de jim morrison, todo o resto é acessório.paula franco

 
At 5:50 da tarde, Blogger Pedro Magalhães said...

De certa forma Jim Morrison foi o pioneiro da poesia no seu estado mais abstracto. Ler Morrison é como entrar num longo e hipnótico sonho ácido.
O caos, o medo e a vastidão estão bem patentes na sua poesia. Arte no seu estado mais puro! E porque?
Porque a arte tem esse dever de nos libertar das correntes do tempo e da linearidade do quotidiano, de nos assustar e provocar insegurança!
Tal como diria Jim "o tempo é uma plantação ordenada", libertem-se.
Bom comment Paula

 
At 10:11 da manhã, Blogger Bárbara said...

A arte a a poesia do Jim me libertam, não só libertam das correntes do tempo e da linearidade do quotidiano.
Não entendo de poesia, quer dizer, entendo o que quero entender. Penso também que o Jim Morrinson foi um adolescente... assim como eu. E se fascinou pela fama quando jovem.. só que ao mesmo tempo continuava com este seu trabalho tão limpo. Cansei de julga-lo por sua vida, pois isso me atrasou alguns anos para descobrir sua poesia e sua música.

 

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