9.12.05

TAEDIUM VITAE

Cravar com punhais crus meus anos juvenis,
Vestir libré faceiro em tempo inoportuno,
Deixar que infames mãos me mexam na fortuna,
Meu espírito enlear em pêlos feminis,
E ser mero lacaio do Destino – Não
Gosto, juro! e dá-me menos que pensar
Do que a ténue espuma inquieta sobre o mar,
Do que um lenhoso cardo em brisa de Verão
Sem ter semente; mais me quero afastado
Dos maldicentes todos que troçam de mim
E me não conhecem; mais quero o parco abrigo
Do mais servil campónio; mais quero assim
Do que voltar ao antro rude dessa briga
Que fez minha alma branca beijar o pecado.

Oscar Wilde

Oscar Wilde nasceu no dia 16 de Outubro de 1854 em Dublin, filho de um cirurgião dos olhos e ouvidos e de uma activista da causa da independência irlandesa. Em 1874 ingressou com uma bolsa no Magdalen College, em Oxford. Viaja por Itália e Grécia, terminando, no ano de 1878, o seu curso com louvor e distinção. No mesmo ano o seu poema Ravenna é premiado com o Newdigate Prize. Um ano depois instala-se em Londres com o pintor Frank Miles. Em 1881 publica Poems. Viaja pelos Estados Unidos, Canadá, França, proferindo conferências sobre a Renascença inglesa e a arte decorativa. Em 1884 casa com Constance Lloyd, de quem terá dois filhos. Inicia uma carreira de jornalista e conhece Robert Ross, de quem veio a ser amante, e que seria o seu amigo mais constante. Em 1891 conhece Lord Alfred Douglas, seu amante, filho do marquês de Queensberry com quem Wilde viria a travar e perder uma batalha judicial no ano de 1895. Condenado nesse ano por indecência, Wilde foi preso durante dois anos. Aquando da libertação, abandona a Inglaterra para sempre, vivendo então em França, Itália e Suíça. Convertido ao catolicismo, Wilde morre, vítima de meningite, no dia 30 de Novembro de 1900. (segundo cronologia biográfica de Margarida Vale de Gato, in Oscar Wilde, Poemas, Relógio D'Água, Setembro de 2005)