20.1.06

CAFÉ CAVAQUISTÃO

Às vezes ela começa a testar as minhas convicções. Abre a janela muitas vezes e fala das dificuldades diárias do calendário de uma pessoa que, não como a outra, não sabe escrever. Tenho duas lâminas a despontar no frio, tenho trinta vozes num frasquinho que atirei às águas calmas da sua fase verde. Os portugueses, sobretudo em tempo de crise (sempre), baixam as calças com incrementado despudor ecléctico. Possuídos pela alma alfanumérica de um boneco morno, vão do Porto a Lisboa muitas vezes e pelo caminho imaginam as raparigas do campo, animais que já não sabem conquistar porque o tempo, ah o tempo, não quis mais saber da minha linda de suza.

Eu não me zango. A minha linda de suza é o meu privado despautério, a minha solha de saudade. Por momentos esqueço-me do passado alegre e do presente infame. E vou no seu encalço de canção antiga, e cá vou eu para a costa, e cá vou eu cheio de mim, e cá vou eu para a costa, para a costa do marfim.


Rui Costa

1 Comments:

At 3:50 da manhã, Anonymous sambista said...

Mas por que raio, vem você prosear de futilidades e põe para baixo a excelente carantonha carnavalesca do post anterior?

 

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