27.5.06

Boas Notícias

A gente tem tendência a falar em demasia do que é mau. Já aqui disse de Jorge Silva Melo. Digo agora do programa Câmara Clara: muito bom. Eduardo Pitta também gostou. Durante o programa, Nuno Nabais confessou ter por hábito dizer aos seus alunos que os clássicos, apesar de serem, em grande parte, chatos, são bons porque dão trabalho. Jorge Silva Melo preferiu sublinhar a ideia da curiosidade: o que é de difícil compreensão, torna-se cativante pela curiosidade que desperta. Ambos têm razão. O problema reside noutros aspectos. Como despertar a curiosidade pelas letras em alunos onde a curiosidade está cada vez mais dependente das imagens? Como fazer crer que os desafios à nossa compreensão são importantes quando o facilitismo está instalado? Não há espírito de sacrifício hoje em dia. Tudo é facilidade. À distância de um clique, temos tudo o que precisamos para sermos felizes: informação. Não importa se deformada, não importa se manipulada, não importa se verdadeira. Basta que seja uma informação que nos iluda o desejo e a ambição de sabermos alguma coisa, o que é preciso para continuarmos a viver a modorra do dia a dia. Veja-se, por exemplo, o episódio aqui relatado, ao qual cheguei via Da Literatura. Sou professor do ensino secundário há praticamente 10 anos. Nestes 10 anos, a verdade é esta: não tive um único aluno que me escrevesse um texto com a qualidade, em termos de língua portuguesa, das redacções que o meu pai fazia na escola primária. Eu próprio, às vezes, sinto-me vítima do mesmo sistema que permite alguém chegar à universidade sem saber a diferença entre vêem, vêm, e vem. Enquanto insistirmos no corporativismo, nada feito nesta matéria. Foram muitas as vezes que chumbei um aluno porque ele, pura e simplesmente, não sabia ler nem escrever. Sobretudo, no 10º ano. É uma desgraça. Acreditem. Pior é depois constatar que na pauta, muitos desses alunos conseguem um 12, um 13, um 14, a língua portuguesa. De quem é a culpa? Dos professores? Dos programas? Dos alunos? Dos pais? Da sociedade? Do Carrilho? Não sei. Só sei que o panorama actual é (devia ser) inadmissível. Bem, como o texto era sobre boas notícias, remato com nota humorística ofertada pelo camarada Fernando:
A evolução do ensino em Portugal

ENSINO NOS ANOS 50/60
Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00. As suas despesas de produção foram iguais a 4/5 do preço de venda. Qual foi o seu lucro?

ENSINO TRADICIONAL - INÍCIO DOS ANOS 70
Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00. As suas despesas de produção foram de 80$00. Qual foi o seu lucro?

ENSINO MODERNO - FINAIS DOS ANOS 70
Um camponês troca um conjunto B de batatas por um conjunto M de moedas. O cardinal do conjunto M é de 100 e cada elemento de M vale 1$00. Desenha o diagrama de Venn do conjunto M com 100 pontos que representam os elementos desse conjunto. O conjunto C dos custos de produção tem menos 20 elementos do que o conjunto M. Representa C como subconjunto de M e escreve a vermelho o cardinal do conjunto L do lucro.

ENSINO RENOVADO – 1980
Um agricultor vendeu um saco de batatas por 100$00. Os custos de produção elevam-se a 80$00 e o lucro é de 20$00. Trabalho a realizar: sublinha a palavra "batatas" e discute-a com o teu colega de carteira.

ENSINO REFORMADO – 1999
Um kampunes recebeu um çubssidio de 50$00 para purdusir um çaco de batatas, o qual vendeo por 100$00 e gastou 80$00. Analiza o teisto do isercicio e em ceguida dis o que penças desta maneira de henriquesser.

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