4.6.06

Blues Fúnebres

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Não deixem o cão ladrar aos ossos suculentos,
Silenciem os pianos e com os tambores em surdina
Tragam o féretro, deixem vir o cortejo fúnebre.

Que os aviões voem sobre nós lamentando,
Escrevinhando no céu a mensagem: Ele Está Morto,
Ponham laços de crepe em volta dos pescoços das pombas da cidade,
Que os polícias de trânsito usem luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho, o meu descanso de domingo,
O meio-dia, a minha meia-noite, a minha conversa, a minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: enganei-me.

Agora as estrelas não são necessárias: apaguem-nas todas;
Emalem a lua e desmantelem o sol;
Despejem o oceano e varram o bosque;
Pois agora tudo é inútil.

Abril 1936

Tradução de Maria de Lourdes Guimarães.

W. H. Auden

W. H. Auden nasceu em York, a 21 de Fevereiro de 1907. Estudou em Holt e em Oxford, tendo seguidamente vivido um ano num bairro de lata em Berlim. A sua primeira colecção de poemas foi rejeitada por T. S. Eliot, à época editor da Faber & Faber. No entanto, já em 1930, foi no The Criterion, de Eliot, que Auden publicou uma pequena peça em verso intitulada Paid on Both Sides. É nesse mesmo ano que aparece o seu primeiro livro de poemas, simplesmente intitulado Poems. No princípio dos anos trinta deu aulas na Escócia. Em 1935 casou com Erika Mann, actriz e jornalista lésbica, irmã de Thomas Mann, para que esta conseguisse passaporte britânico. Em finais dos anos trinta trabalhou como escritor independente e publicou livros de viagens. Escreveu peças para o Group Theatre e libretos de ópera. Em 1939 deixou Inglaterra e partiu para os Estados Unidos, tendo-se naturalizado cidadão americano em 1946. Foi professor convidado de poesia em Oxford. Morreu em Viena a 29 de Setembro de 1973.

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