25.7.06

Vós olhais as flores no meio das folhas:
Quanto tempo de bom podem elas ter?

Hoje temem que alguém as colha
Amanhã aguardam que alguém as varra

Cativantes os entusiasmos do coração
Após vários anos envelhecem

Comparado com o mundo das flores
O fulgor do vermelho como o conservar?


Versão de Ana Hatherly.

Han-Shan

Han-Shan foi um poeta chinês que terá vivido no século VII. O seu nome está associado ao budismo Zen, sendo-lhe atribuídos 311 poemas. O tradutor Arthur Waley introduziu-o no mundo anglo-saxónico em 1954. Dois anos depois, o poeta beat Gary Snyder traduziu e publicou 24 poemas de Han-Shan na revista Evergreen Review. Conta a lenda que Han-Shan (Montanha-Fria) tomou o nome da montanha onde instalou um retiro. Embora fosse referido nos Novos Anais dos Tang e apreciado até ao século XI, foi praticamente ignorado do século XII ao século XVII. Apaixonado pela liberdade, entregou-se a um trabalho interior de solidão sem se deixar tentar pelas rotinas das religiões ou das filosofias estabelecidas. (a partir de O vagabundo do Dharma – 25 poemas de Han-Shan, Cavalo de Ferro, Outubro de 2003)

2 Comments:

At 3:55 da tarde, Blogger Navegando com o Álvaro Míchkim said...

"Como a água límpida brilha como uma pedra preciosa,
E cuja transparência permite enxergar o fundo,
É a mente, dentro da qual nenhuma coisa existe;
Por isso os objetos exteriores não conseguem movê-la,
Já que ela não é abalada por objetos externos,
É eternamente imutável.
Se conseguirdes compreender isso
Terás obtido a sabedoria que ultrapassa os opostos."
(Han Shan)

 
At 4:39 da tarde, Anonymous Yvone Salles said...

"Subindo o caminho da Montanha Gelada, a Montanha Gelada segue e segue, longa garganta engasgada com pedregulhos e pedras, riacho amplo e capim borrado de névoa, o limo é escorregadio apesar de não ter chovido, os pinheiros cantam mas não há vento, quem é capaz de saltar sobre as amarras do mundo e sentar-se comigo entre nuvens brancas? (Han Shan, tradução de Japhy Ryder)

 

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