1.10.06

House

Na novela Roque Santeiro havia um tal professor Astromar Junqueira que falava, falava, falava e ninguém entendia nada. Porém, todos lhe aplaudiam o discurso. Os portugueses são muito parecidos com as gentes de Asa Branca. Não admira pois que haja para aí tanto telespectador a apreciar a série do Dr. Gregory House, já que metade dos diálogos são, pura e simplesmente, imperceptíveis.

15 Comments:

At 7:28 da tarde, Anonymous Paulo José Miranda said...

Assino em baixo,
com todos os sorrisos.

 
At 9:02 da tarde, Blogger Diogo Ribeiro said...

Compreendo perfeitamente a situação, e é verdade que parte dos diálogos - justamente os que são mais relevantes ao motivo da série - são confusos para as pessoas que não têm referências daquele mundo. Isso é um dos problemas inegáveis de House, e por vezes de séries como o CSI (e algumas mais antigas, que me falham os nomes, que se passavam em hospitais e situações de emergência). Se bem que tem que ser dito, muitas vezes House e a equipa dão uma "pequena ajuda" aos telespectadores ao enumerarem possíveis razões pelas quais certos tratamentos devem ser feitos, ou quais são os riscos envolvidos (repare-se que na própria série muitos dos pacientes também não sabem o que se passa e é-lhes explicado muitas vezes os detalhes dos seus casos; muito poucos têm uma ideia do que se passa e esses ou têm experiência médica ou como House gosta de dizer, têm ido à Internet).

Mas também não posso deixar de compreender os teleespectadores que apreciam séries pelos personagens e dramas que neles se desenrolam. Em parte, porque pertenço a esse lado (e em parte porque sempre admirei o trabalho de Hugh Laurie, mesmo que por cá não tenham havido muitas oportunidades de o ver) sou seguidor da série. Poucas outras sigo de momento - House, The Shield (O Protector, na TVI também), e 24 são as principais, com Os Sopranos e Rescue Me as outras que vou conseguindo ver.

É verdade que temos um pouco esse problema, mas não será exclusiavemente por isso que a série tem algum êxito por cá. Pessoalmente até preferia que vissem mais o The Shield porque acho que assim mais escritores de ficção nacional tinham bases para fazer séries policiais de jeito e não aquelas coisas sonsas tipo "Inspector Max" onde ocorre o contrário de House - apesar de ser tudo muito perceptível, é uma série rafeira (sem querer insultar o Max).


Abraço, bom (resto de) fim de semana.

 
At 11:50 da tarde, Anonymous pedro vieira said...

bom, bom, seria ver o dr house transformado em lobisomem, fazendo jus ao seu alterego da rede globo. nesse caso continuaria a usar a canadiana?

 
At 12:21 da manhã, Blogger Luisa said...

Lembra-me uma história que ouvia desde pequena a minha mãe contar. Estava o "povo" reunido para ouvir um discurso de um "poderoso" lá da terra (isto antes do 25 de Abril, lá nas nossas queridas 'berças' - mas pelos vistos, podia ser já depois...) Pois então, o homem falou, discursou, e o povo aplaudiu. Uma velhota meia surda no fim pergunta ao seu vizinho: Então o que é que ele disse?
Resposta do vizinho: - Ãh isso não sei! mas que lá falou muito bem, lá isso falou!

Pois é... vira-se o disco e toca-se o mesmo.

 
At 12:54 da manhã, Anonymous F. Vornehmheit Nietz. said...

Não me parece que o conhecimento técnico seja fundamental para se entender os diálogos.....as traduções, essas sim, são confusas.
Se não lhes ligarem acredito que será mais fácil entender, talvez......quem sabe....

 
At 4:05 da manhã, Blogger sub rosa said...

Hahahaha!
Henrique, aqui no Brasil passam duas 2 vezes - às 5as e domingos.
Meu marido diz que é assim: passam às 5as. para as pessoas apontarem o que não aabem e passam a segunda vez para as pessoas verem depois de já terem ido ao Google e outros sites da Net;-)

Mas eu adoro, claro. E só me incomodam mesmo são as siglas.
Estás impossível:-)))
Beijão
Meg
P.S Eu nem lembro desta novela:-)

 
At 10:53 da manhã, Blogger hmbf said...

A verdade é que… eu tento sempre não perder um episódio. Explico-me: gosto de embasbacar frente ao ecrã, a “ouver” coisas que me fazem tanto sentido quanto, enfim, a minha própria existência (para quem não saiba, ela não me faz mesmo sentido algum). É isto que acontece, uma identificação com o incompreensível. No fundo, sinto-me cada vez mais um diálogo do Dr. House.

 
At 10:55 da manhã, Blogger manuel a. domingos said...

o dr. house é uma boa série

 
At 12:27 da tarde, Blogger Carla de Elsinore said...

ó meu amigo, não posso desta vez concordar consigo. o que menos interessa no dr. house são os diálogos/discussões técnicas que, obviamente, me ultrapassam. o que interessa no dr. house é a condição humana. a p* da condição humana.

 
At 1:16 da tarde, Blogger hmbf said...

Carla, eu disse o contrário?

 
At 2:27 da tarde, Blogger sub rosa said...

Henrique desculpe lá eu dirigir-me à queridíssima Carla, eu sou de Arcádia e ela de Elsinore, o que lhe dá imensa vantagem sobre mim, está bem?)
Carla querida:
De fato, não que ele precise, mas o Henrique, esse adorável radical, desta vez falou exatamente - redondamente- o que tinha de falar.
Deixou muito claro que a série é "importante" a ponto de merecer-lhe um post , e livrou de crítica o fulcro da série, que até nem é exatamente a condição humana, - bom, na realidade, de *TUDO* pode-se dizer que é a condição humana -
Sei que posso, porque adoro você, falar-lhe assim, mas como uma das mais maiores fãs desta série (até meu marido que não gosta de nada que eu gosto, dessa série gostou e ele é um GÉNIO, claro está) - senti-me mesmo é muito feliz que o Henrique, implacável como é, fosse direto ao ponto: o jargão médico, as expressões que, de certa forma , nos deixam exilados das decisões que tomam.
Afinal linguagem é instrumento de poder.
Há um coisa importante na série: o espírito de equipa, que muito embora o grande, enorme , incomensurável *EGO* do Dr. Gregory House, fica muito claro, que ele respeita.
E para um tipo como ele, poderia muito bem dizer: às favas com vossas especialidades, no final quem resolve sou eu.
No final, ele sabe que resolveram juntos.
A própria cena inicial da série não é ele sozinho, ou em destaque , mas o Dr House, ao lado do team, e aquela piscadela cúmplice:-)
==
Oh Henrique e Carla, perdoem-me, mas já viram que a minha vida, embora esteja num hospital, não tem outro sentido, senão ver o Dr. Gregory e seus partnes,
Ah! e vir discutir aqui, feliz da vida por o Henrique ter falado exatamente o que meu marido falou, só que com muito mais graça e com elaboração
Beijos, beijos, zazieanos, para todos, viu Carla (private joke)

 
At 3:27 da tarde, Anonymous O COISINHO DA ANACONDA EMPLUMADA said...

A verdade é que… eu tento sempre não perder um episódio. Explico-me: gosto de embasbacar frente ao ecrã, a “ouver” coisas que me fazem tanto sentido quanto, enfim, a minha própria existência (para quem não saiba, ela não me faz mesmo sentido algum). É isto que acontece, uma identificação com o incompreensível. No fundo, sinto-me cada vez mais um diálogo do Dr. House.
nuca vi a serie mas formulaste-me quanto ao eixo do mal.
;)

 
At 5:52 da tarde, Blogger hmbf said...

Coisinho, aí já não me esforço tanto por não perder um episódio. :)

 
At 10:22 da manhã, Blogger Amélia said...

Obs: ando um tanto a leste da TV e por isso não falo da série...vou tentar ver ou ouver, como diz o Henrique.Em todo o caso, aqui vai:
__________

Teria interesse voltar a ler o texto sobre o Conselheiro Pacheco, de Eça de Queirós.Pacheco nunca dizia nada.Limitava-se a franzir a testa nos diversos sítios, nomeadamente no parlamento.Era tido como um «imenso talento».Quando morreu, jornais e políticos todos lamentaram a perda do «talento» do Pacheco. Interrogado sobre o assunto, a viúva limitou-se a erguer«num mudo espanto,os olhos que conservara baixos - e um fugidio, triste, quse apiedado sorriso arregaçoulhe os cantos da boca pálida...».Só ela não parecia ter-se apercebido do «imenso talento do Pacheco»...
Vem na Correspondência de Fradique Mendes e é a Carta VIII-Ao Sr.E.Mollinet

 
At 10:46 da manhã, Blogger hmbf said...

:)
Boa, Amélia, boa. Muito bem lembrado. :)

 

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