25.10.06

Ó meu bom mundo civilizado!

Há tanta hipocrisia neste mundo, neste país, na merda da blogoesfrega, tanta, tanta, tanta, que às vezes mete nojo respirar. Quando aqui falei de censura, afirmando que hoje em dia a censura não tem um rosto definido, único e englobante, tem vários rostos obscurecidos e dissimulados, ou dizendo que as cúpulas que se instalam nos lugares de influência, dentro das áreas a que pertencem, censuram, hoje em dia, ignorando, o que eu queria dizer era que num mundo onde Deus é o Dinheiro e a Economia a Religião as novas formas de censura incomodam muito pouca gente. O dinheiro cala quase tudo, quase. A história diz-nos que quando o poder é alvo de críticas ele tende sempre a responder negativamente: segregando, abafando, silenciando, ignorando. Finge-se que não se sabe, que não se ouviu, para não se ter o trabalho de responder. Assobia-se para o lado que der mais jeito. Mas a história agora é outra, o dinheirinho cala quase tudo. Cartoons matam pessoas? Não. E documentários não incomodam tanta gente. Ide aqui. Tudo não passará de um grande equívoco, na verdade o documentário era péssimo, quem cala está no seu direito, etc, etc, etc. Quem não se cala também: «Quero ver o documentário da Leonor Noivo. O tema, desde logo, é pertinente. A censura é inaceitável. Apelo que escrevam também à apordoc, exigindo a correcção desta decisão lamentável.» Ai Mozart, ai Mozart!!!

8 Comments:

At 4:04 da tarde, Anonymous Luís Galego said...

Interessante o comentário.

 
At 5:33 da tarde, Anonymous Personagem de Fricção said...

Qual é a novidade? Sei, é continuarmos quietos. Mas fazer o quê? Está tudo numa naice e vem falar de extorsão? Disparate. Pois se nem sequer há pedofilia em Portugal! Nem apitos dourados, nem corrupção nas autarquias nem coisíssima nenhuma, é tudo inventado por aqueles que continuam a pensar que Portugal é do terceiro mundo. Ora nós nem sequer somos do quarto, quanto mais...
Ó Henrique, deixe-se disso, relaxe. Olhe, veja o canal Parlamento, por exemplo, vai ver como é giro.

 
At 6:25 da tarde, Anonymous hmbf said...

Boa, pdf. É isso mesmo.

 
At 6:50 da tarde, Blogger etanol said...

Quero ver o filme, porra!
Maria João

 
At 6:58 da tarde, Anonymous hmbf said...

Eu não. Mas quero que não lhe seja retirada a oportunidade de ser visto.

 
At 7:41 da tarde, Anonymous tia said...

Infelizmente parece-me que o problema de base não se resume à submissão consciente perante o
"dinheiro e economia (os tais novos deuses). É algo quase visceral (não conseguem ver) e que reflecte uma enorme pequenez em termos de cidadania: é o medinho que se deixa esmagar perante a autoridade (a ameaça de processo no tribunal, como se isso fosse sinónimo de "menor honradez" ou fizesse perigar a integridade do apordoc), é a irreflexão sobre o papel que um festival de cinema documental tem necessariamente que desempenhar e os riscos que tem de assumir. Espanta-me que a apordoc não se tenha apercebido que estes problemas (ameaças de processos) mais tarde ou mais cedo se irão repetir, porque documentários não são documentos inóquos. MNão o fazer é morrer como festival interessante e de referência. Passar filmes não polémicos ou que o são num país distante (o heroismo à distância não é lá muito respeitável).
Falta aqui coluna vertebral.

 
At 9:02 da tarde, Anonymous hmbf said...

bem dito, tia. muito bem dito.

 
At 2:23 da tarde, Blogger Lu said...

Cá no Brasil também as coisas andam bem parecida com isso... quando a censura deixou de ser algo a ser combatido porque era extramente agressiva e explícita, as coisas tomaram uma face ainda mais monstruosa, porque a censura velada e permitida descaracteriza-nos.
A coisa mais ferina disso tudo é o senso de comodidade e conforto com que tudo isso impera. Convivemos sem estranhezas e isso, sim, é-me estranho.

 

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