18.10.06

O Rivoli

Já fui muito feliz no Rivoli. Até já ia morrendo no Rivoli, onde o coração me bateu à velocidade da luz e os músculos do pescoço me ficaram hirtos e firmes que nem uma barra de ferro. Sugerem-me agora que vá para a porta do Rivoli. Não vou, tenho muito que fazer. Mas daqui das lindas Caldas, caros revolucionários da cultura, vos envio um abraço. Daqui, deste Rivoli generalizado que é a terra onde cabeceio o sono, a terra de onde vejo um mar que me acomoda ao conforto dos dias absurdos, daqui vos envio um abraço. Entristece-me a pasmaceira dos abraços quando é tudo o que podemos dar, mas daqui, daqui onde o tédio é um sorriso nas mãos de uma criança, um abraço é mesmo tudo o que vos posso enviar. O poema é feio, é certo, mas não deixa de ser um poema, um poema bem melhor que o poema, esse vosso gesto. Não vos esqueceis, porém, que já só 300 lêem poesia. Ou coisa assim.

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