10.11.06

António Franco Alexandre

Passei o dia de cama, com febre, a ver televisão. Entre filmes, séries e documentários, apanho uma entrevista a António Franco Alexandre. Um momento: a entrevistadora pede-lhe que leia um poema de Aracne, o poeta folheia o livro, hesita, sente-se um pouco atrapalhado, não consegue escolher. Explica que os seus livros não são colectâneas de poemas, que há uma ordem, como num romance, que liga todos os versos uns aos outros. Enquanto folheia o livro, claramente vacilante, o poeta é interrompido pelo dedo da apresentadora que lhe sugere, assim mesmo, «por exemplo este aqui». O poeta, simpática e serenamente, pelo menos em aparência, concedeu. Eu fiquei a olhar para aquilo como se estivesse a olhar alguém a ser violado.

4 Comments:

At 9:06 da tarde, Blogger a causa das coisas said...

Um poeta admirável. E grande intelectual. Quando tinha aulas com ele, não conseguia olhar-lhe nos olhos.

Gostei muito do post.

Abraço.

Paulo Ferreira

 
At 12:02 da manhã, Anonymous hmbf said...

Um poeta admirável, não haja dúvidas.

 
At 3:27 da manhã, Anonymous costelas-de-adão said...

Mas, a poesia escrita e o seu autor,-qualquer autor - não têm nada a ver copm o "tempo" de um programa televisivo.

Quem vai lá, ler-se, e já me aconteceu, sente efectivamente um grande desconforto.

Novo lay-out? Que luxo!

costelas-de-adao.blogspot.com

 
At 7:02 da tarde, Blogger Henrik said...

Interessante mais de um ano depois, leio este comentário, eu que vislumbrei e vislumbro a sorte de ter como mentor, professor, e orientador o António Franco Alexandre, o homem que me viu entrar imberbe na faculdade orienta gora meus últimos passos por lá. E eu consigo olhar-lhe bem nos olhos, uma ânsia de o escutar, observar, e sim também vi essa entrevista na rtp2. E foi uma violação, talvez um rapto, já que se fosse violação não teria publicado seus poemas:)

 

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