29.11.06

Modos de vida

No final do documentário Os Respigadores e a Respigadora, Agnès Varda aborda um homem que encontra a colher restos de vegetais e frutas num mercado municipal. Esse homem revela-lhe que estudou Biologia, possui um mestrado, mas sobrevive dos jornais de rua que vai vendendo à porta da gare Montparnasse. À noite, ensina francês, em regime de voluntariado, a emigrantes. Pratica uma dieta à base de pão e de vegetais, a maior parte respigados, ou seja, considerados lixo, desperdiçados, pelos cidadãos comuns. Penso nesse homem e concluo que um dos aspectos positivos na sociedade em que vivemos é podermos escolher o nosso modo de vida. Trata-se de não permitirmos que nos empurrem para um modo de vida, trata-se de resistirmos, trata-se de sermos nós a escolher o que queremos, como queremos, quando queremos. Isso é possível. O difícil talvez seja mesmo escolher, optar. Como em tudo na vida, optar por um caminho implica deixar muitos outros para trás. O peso da responsabilidade que uma decisão dessas acarreta é talvez o mais difícil de suportar.

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