3.1.07

AS ALMAS

Vejo passar, na infinda solidão,
Vultos de almas, figuras de emoção;
Os poetas do silêncio que não cantam,
Os doidos que, de súbito, se espantam,
Os que gelam, ao ver o luar nascente,
Os que fitam a mesma estrela, eternamente;
Os perdidos da sorte,
Os que chamam, gritando, pela morte!
Os que andam, sem saber, pelos caminhos,
Os que de noite vão, sempre a falar, sozinhos;
Os que vivem casados com a dor
E a escondem, ciumentos;
Os trágicos do Amor,
Os que sentem astrais deslumbramentos,
Os que matam e cantam, por destino;
O salteador nocturno, o poeta que é divino,
Os tristes vagabundos,
Em perpétua e fantástica viagem...
Os que amam a paisagem
E têm nos olhos a amplidão dos mundos...
Vultos de almas, figuras de emoção,
Errantes, na infinita solidão.

Teixeira de Pascoaes
Teixeira de Pascoaes, Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, de seu verdadeiro nome, nasceu em Gatão, Amarante, em 1877. Começou a colaborar no jornal A Flor do Tâmega, com poesias líricas e satíricas, publicando o seu primeiro livro, Embryões, em 1895. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, a sua carreira judicial durou apenas dez anos. Em 1911, com Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra e outros intelectuais, fundou o grupo Renascença Portuguesa e dirigiu, entre 1912 e 1916, a parte literária da revista A Águia, tornada no órgão daquele movimento. Recolhido no Marão, Pascoaes isola-se do mundo que o rodeia, prosseguindo uma obra poética hostil à modernidade, desprezando as guerrilhas e intrigas da feira literária. Faleceu em 1952. »

1 Comments:

At 7:32 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Teixeira de Pascoaes não nasceu em Gatão mas sim na freguesia de S. Gonçalo - Amarante - na Rua Teixeira de Vasconcelos, em cuja casa ainda existente tem uma placa alusiva.
António Patrício

 

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