26.3.07

Fragmento #45 – Espelho

Descreves-me em corredores amarelos às escuras, na tua mão minha avançando para a porta. Paraste. Perguntaste-me na língua natureza entreaberta, espaço estreito de água. Entrei firme em casa. O som mudou quando fugimos das muralhas ao longe; parámos à distância da terra molhada. Na calçada seguinte sincronizámos, havia passos antes de mergulhares na noite. O som da água entrava no corpo das calçadas; aproximámo-nos no tempo que corre nos passos das ruas estreitas. Entrei no mundo das tuas mãos em direcção à porta da tua sala onde a água caía no tempo dos meus pés. Envolveste-me nos textos do vento, língua na língua. Depois tive de partir, preocupava-me as ruas molhadas, podia ficar ali nas pedras. Não quis ficar. Agora apenas te encontro em sonhos, onde me dás a tua mão. Em casa. As palavras estreitas correm no chão onde oiço a água a correr; o barulho existe apenas nas minhas mãos; aqui estão as minhas mãos às escuras, respondem ao teu silêncio a escrever.

Maria João

6 Comments:

At 6:59 da tarde, Anonymous Anónimo said...

..havia passos...

 
At 7:09 da tarde, Blogger etanol said...

obrigada pela correcção.
Maria João

 
At 7:21 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Belo pedaço de texto.
aurora

 
At 9:30 da tarde, Blogger Conceição Bernardino said...

Olá,
Dedico-lhe este poema magnífico da autora “Maria Petronilho”
Com uma bela semana...

Deixar Passar a Poesia

Abrir a voz.
Deixar passar a transparência
Como quem quer matar a sede

Na fonte a mão escorrendo água...

Do livro: Nas Asas do Mar

Beijinhos
ConceiçãoB
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com

 
At 11:39 da tarde, Blogger etanol said...

Obrigada Aurora, foi feito com pedaços.

Obrigada Conceição.

Maria João

 
At 9:35 da manhã, Blogger Marta said...

gostei muito deste fragmento.tudo parece um sonho.

 

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