23.5.07

A INVEJA

A inveja é um assunto que me interessa. Por isso, li com agrado este post de Carla Hilário de Almeida Quevedo. Cito: «O invejoso sofre constantemente; sofre por tudo e por nada; sofre sempre que alguém (seja quem for) faz aquilo que reclama ser um qualquer estranho direito seu. Mas nesse momento é punido: o seu maior sofrimento é em si mesmo a sua maior punição. Quando o invejoso é obsessivo, a punição é tremenda: o tempo passa e o invejoso passa a ter um lugar cativo como eterno espectador da vida alheia. Todos os dias, o invejoso é forçado a lembrar-se da sua própria mediocridade. Na sua comparação diária é inevitavelmente confrontado com o seu medíocre fracasso: aquele que não implica sequer uma tentativa». Pena a forma como termina, remetendo desnecessariamente o tema da inveja para uma das esferas onde ela se torna mais evidente, talvez por se tratar de uma esfera onde, sob a protecção do anonimato, ninguém precisa de a disfarçar. Eu diria mesmo que, dadas as circunstâncias, a inveja na blogosfera até tem um lado saudável que fora dela se torna perigosamente ameaçador. O texto da Carla foi publicado na Atlântico. Sobre o mesmo assunto, ou algo parecido, publiquei eu este texto numa outra revista, já extinta, aqui do burgo. Chamo a vossa atenção para o comentário de Vida Involuntária (Inês Lourenço) deixado no referido texto. Diz assim: «Os invejosos têm-se, a si próprios, em alto conceito e só querem palco, que os achem fantásticos, que os idolatrem, SÓ A ELES; tentam, assim, anular a existência dos outros. Os que estão nas instituições, mercê de cunhas políticas e familiares, são os mais destrutivos, pois frequentemente comprometem a dignidade e o "au-delá" de grandes projectos em favor de mesquinhos compadrios e põem em acção a velha máxima portuga:"nem fode nem sai de cima". Mas, pasme-se, há invejosos cheios de Prémios, edições e ensaios sobre a sua obra, que não podem ver um pobre com uma camisa lavada. Apressam-se a "fazer a folha", troçando alarvemente, com A ou B "influente", ou "opinion-maker", daqueles pouco ecuménicos, para que o atrevido/a desapareça, enquanto presença autoral». Eu diria que entre a inveja dos que estão por baixo e a dos que estão por cima, venha o Diabo e escolha. Mais sobre a inveja, em contornos diversos, aqui e aqui. Vai um banhinho com sal?

23 Comments:

At 1:23 da manhã, Blogger loucomotiva said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 1:24 da manhã, Blogger loucomotiva said...

o 'Portugal Hoje: O medo de existir' de José Gil, fala muito bem sobre o problema da inveja como factor decisivo no panorama português e como o mesmo tem prejudicado o desenvolvimento do país. contudo é um livro que não levantou grandes amores no seio de alguns nichos culturalmente mais eruditos, penso por ter sido um campeão de vendas! lá está, se calhar foi porque deu uma invejazita nessa rapaziada!!!
Jorge Garcia Pereira
segunda-furia.blog.com

 
At 1:58 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Concordo consigo. A inveja tem muitos rostos (hélas). Christina.

 
At 9:38 da manhã, Blogger isabel mendes ferreira said...

dela nunca se dirá tudo.





bom dia. nada invejoso...:)))))))))))


abraço.

 
At 9:49 da manhã, Blogger Luis Eme said...

A inveja... que muitos teimam em a rotular como exclusividade portuguesa, a par da saudade (se assim fosse o resto do mundo era mais justo), é um pouco disso tudo. Mas é acima de tudo o medo, a mediocridade, a baixeza.

 
At 10:16 da manhã, Blogger Charlotte said...

hmbf, bom dia. O texto acaba assim porque na minha crónica mensal na Atlântico escrevo sobre blogues. Quanto à inveja ter "um lado saudável", discordo naturalmente.

 
At 10:36 da manhã, Anonymous hmbf said...

Obrigado a todos pelos comentários.

Só duas notas:

Jorge Garcia Pereira: eu não gostei muito do livro do professor Gil. Garanto-te que não foi por inveja. Expliquei porquê num dos primeiros posts do Insónia. Mas acho que percebo o que queres dizer. E concordo.

Charlotte: eu não disse que a inveja tem um lado saudável, disse antes que «a inveja na blogosfera até tem um lado saudável». Neste caso, circunscrevendo-lhe o campo de acções (escrever textos), o que lhe vejo de saudável é a forma como torna tão clara, evidente, inquestionável, um dos maiores podres do mundo. Isso é saudável porque, por um lado, permite ao invejado criar defesas e dá ao invejoso uma possibilidade de escoamento do seu mal que, salvo raríssimas excepções, não atinge com grave dano o alvo.

 
At 11:29 da manhã, Blogger Charlotte said...

Sim, eu percebi. Não concordo porque o valor intrínseco à inveja não é bom, logo não pode dar origem a nada de bom, mas acredito que as consequências nefastas recaem sobretudo no invejoso. Não sabemos (eu pelo menos não sei) quais são as consequências da inveja no invejado e não me parece certo que todos criem as tais defesas.

Não vejo nada de saudável em pessoas que se dedicam a destilar ódios por quem não conhecem (ou por quem conhecem, não sei). Esse "escoamento" de que fala é o mal em si, e o facto de não afectar o invejado não desculpabiliza nem minimiza o acto. Enfim, para mim, saudável é andar de bicicleta quando está sol, por exemplo. À chuva, já não é tanto.

Mas percebo que acha que conhecer a maldade é preferível a não conhecê-la. Talvez.

 
At 12:46 da tarde, Blogger FAG said...

A inveja existe, é claro, e ninguém lhe é imune: quem se considerar imune à inveja está a ser, além de invejoso, pedante e hipócrita. Há invejas mais saudáveis e menos saudáveis (de acordo com hmbf). A inveja que mais me irrita - e não lhe sou/somos imune(s)em maior ou menor grau - é a que funciona como argumento para DESTRUIR a crítica e a luta: «Criticas e lutas porque tens inveja dos ricos/poderosos/chico-espertos, etc.» É a inveja dos passivos, dos contentes, dos situacionistas, dos medíocres. Quando estes invejosos passivos e azedos se deparam com a inteligência, a bondade, a honestidade, a entrega desinteressada - coisas que eles nunca alcançarão porque são alheias à sua natureza lacaia - os passivos mascaram a sua inveja de desprezo/superioridade. Não tenho inveja destes invejosos, só pena.

 
At 12:50 da tarde, Blogger Silvia Chueire said...

Penso que o invejoso nunca se tem em alto conceito*, ao contrário, sente-se inferior, por isso inveja aquele que é, ou tem, o que ele gostaria de ser, ter. Por isso precisa de palco, de adoração, de admiração. Busca compensação. Busca solução para seu sentimento de inferioridade diminuindo, prejudicando, o outro. Não é o sentimento de inferioridade, ou a deficiência (de fato) que o tornam medíocre, mas o tipo de solução que busca para o que é ou sente. A solução fora de si.

A inveja tem um limite tênue com a admiração. Mas admirar não causa danos, invejar sim. Maiores ou menores de acordo com a intensidade do sentimento. O invejado, claro, sofre os danos, na mesma proporção. Desenvolve defesas? Sim, em muitos casos. Em outros, não. Nada disso desculpabiliza ou minimiza o ato do invejoso, apenas permite que o compreendamos e possamos tratá-lo, se for o caso. Parece-me útil para o invejado conhecer o invejoso. O risco, sempre, é uma atitude paranóide.

*Digamos que o sentimento de inferioridade pode ser inconsciente. E que conscientemente, como defesa, o sujeito se ache o máximo.
Poderíamos perguntar: mas porque fulano, que se acha ( ou mesmo é) o máximo, inveja beltrano? Ora, é a ameaça, que o outro representa, de roubar-lhe o lugar de destaque, portanto, ainda o sentimento de inferioridade, que permanece apesar das qualidades que o invejoso possa ter.

 
At 12:59 da tarde, Anonymous hmbf said...

Não é por o valor intrínseco de uma coisa não ser bom, que dessa coisa nada de bom pode advir. Dificilmente alguém reconhece um valor intrínseco bom a um micróbio, e, no entanto, há micróbios que resultam em coisas muito boas. O mesmo sucede, por oposição, ao acto de «andar de bicicleta quando está sol». Eu, por exemplo, já sofri imenso por andar de bicicleta quando está sol. E o meu médico bem me tinha avisado que deixasse a bicicleta e me dedicasse à natação. E o que dizer da guerra? Em si, digo eu, é má. Mas dela podem resultar coisas boas ou, pelo menos, menos más do que as que seria de esperar caso a guerra não se fizesse.

O que quero dizer é que, do ponto de vista do invejoso, poder destilar ódios como quem bate num saco de boxe pode ser saudável. Não tem que sê-lo necessariamente, mas pode sê-lo. Consigo vislumbrar algo de terapêutico nisso. Assim como do ponto de vista do invejado (note-se que este raramente pode confirmar o mal de que padece, sendo esse mal quase sempre do domínio da desconfiança), saber-se como tal de forma tão clara e evidente pode contribuir para a criação de defesas contra a inveja dissimulada.

Como diz a Charlotte, para mim conhecer a maldade é, sem dúvida, preferível a não conhecê-la.

 
At 2:22 da tarde, Blogger LB said...

A inveja é um sentimento negativo mas é tão natural como o ciúme por exemplo. Há inveja boa e inveja má. Torna-se má quando prejudica o alvo da inveja (e não apenas o próprio). A inveja é universal, mas a diferença de Portugal para os outros países é que em Portugal recorre-se à defesa de acusar os outros de invejosos para contrapor críticas normais e impessoais em si.

 
At 4:02 da tarde, Blogger etanol said...

Concordo com o que escreveste, Henrique em relação à inveja, e escrever sobre este tema doloroso é uma boa forma de o sublimar. E concordo com o Lourenço, a inveja é um sentimento universal, existe inveja boa e má, mas acho que a diferença em Portugal é o facto de ser a nossa cultura, a cultura que conhecemos melhor e com a qual mais estamos envolvidos, por o tema da inveja em Portugal nos parece diferente da que existe noutros países, sentimos a inveja em portugal com mais intensidade.
Maria João

 
At 4:24 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Em defesa da inveja, porque não quero ser estrangeiro nem um português melhor que os outros. Somos todos pela inveja, principalmente quando somos invejados. É natural que uma pessoa que se sinta superior só inveje Deus, o que é fácil porque ele de facto não existe. Mas invejar os homens é mais humano e mais difícil para o amor-próprio. A inveja corre de baixo para cima na sua interacção e corre do mais para o menos nas suas características próprias. Assim, o homem oscila entre a inveja/admiração - saudável e estimulante, e a inveja/ódio, que pode levar à impotência e à enxaqueca crónica. No fundo da tabela está também a inveja/desprezo, muito ligada ao racismo (e no entanto eles têm uns bacamartes deste tamanho) e às fobias a isto e àquilo. Mas o pior de tudo é a ausência de inveja, ou seja, a indiferença - que é mortal. Não há nada mais bonito do que uma bela inveja correspondida.

FAG

 
At 8:40 da tarde, Blogger Charlotte said...

hmbf, micróbios é igual a inveja? Tenho alguma dificuldade em pensar assim.

Quanto ao exemplo da bicicleta, tive o cuidado de escrever "para mim". O exemplo não é relevante, serve apenas para indicar que, muito honestamente, me estou bem nas tintas para o que faz bem ao invejoso.

Até à próxima!

 
At 1:49 da manhã, Anonymous hmbf said...

Um raciocínio lógico não é válido para um exemplo e inválido para outro. Micróbios, guerra, andar de bicicleta, inveja, não são a mesma coisa, mas o raciocínio que foi aplicado acerca da inveja pode sê-lo acerca de muita outra coisa. Se o problema for esse, pois que nos cinjamos à inveja. Se não fiz entender com os exemplos que dei, talvez este posso aclarar o que pretendia dizer. Quando a inveja está na origem de uma vontade de se melhor, ela não é necessariamente má. Quando o invejoso junta à inveja uma vontade de se superar a si próprio, a inveja pode tornar-se benéfica. Aliás, custa-me aceitar que a Charlotte não compreenda isto, até porque esta parece-me ser uma das leis mais básicas das sociedades liberais. Basta abrirmos uma revista do coração para percebermos como se promove a inveja do sucesso alheio tendo em vista, ao mesmo tempo, a promoção do desejo de vir a ser como aquele que se inveja. Assim se “motoriza” o consumo, assim se imprime a dinâmica do produzir para consumir. Dito isto, pois que a Charlotte se pode estar nas tintas para o que faz bem ao invejoso. Eu só me expliquei porque em comentário acima a Charlotte disse que discordava da possibilidade de existir “um lado saudável” na inveja. Se discorda naturalmente, não tem que dizer por que discorda. Basta mesmo dizer que se está nas tintas. É uma resposta mais fácil e, porventura, mais honesta.

 
At 3:37 da manhã, Anonymous Anónimo said...

É boa essa aproximação à "promoção" da inveja, nas revistas cor-de-rosa.
Mas, meus caros, inveja boa, não existe. Quanto muito há uma chamada EMULAÇÃO, em miudos pequenos, que os leva a querer ser tão bons - se é que isso ainda se usa - quanto o colega ou o amigo. E o sentimento da ADMIRAÇÃO é o único caminho digno e limpo para um ser humano, frente a algo que gostaria de ter ou de realizar.
Aliás a INVEJA é um "pecado capital" no célebre septeto doutrinal; e o seu antídoto é segundo a mesma doutrina a HUMILDADE. Admiração, modéstia, humildade, andam na mesma área semântica. E um grande exemplo está neste nosso amigo Henrique, que prodigamente analisa e difunde livros e nomes de diferentes tribos.

Também nas antigas medicinas orientais, a inveja costuma ser conotada com as doenças do sistema hepático-biliar. De onde o nosso portuguesíssimo "ter maus fígados", deve andar lá perto.

Congratulo-me com os numerosos comentadores que não detectaram a invejazinha lusa e que pelos vistos não conhecem ninguém prejudicado por ela.Pelos vistos só conhecem a elite da bondade humana. Sortudos! Pois eu conheço muita gente, que perdeu justos reconhecimentos, promoções e até dinheiros porque uns sabujos invejosos se meteram à frente ou omitiram ou fizeram campanha negativa.
Tenho ouvido falar,de certa ética que há noutras sociedades europeias e até nos States, onde os realmente bons e competentes são compensados e reconhecidos. Aqui não. Quando vem o Concurso, já está "guardado o bocado"....para a prima da namoprada do chefe, que depois passa com ares escarninhos por quem é muito melhor do que ela.
A INVEJA É A COISA MAIS MESQUINHA E DESPREZÍVEL DO HUMANO, que muito justamente se diz, que desde o Génesis "matou Caim".O invejoso.Mas quem morreu mesmo, de morte matada, foi o invejado. O pobre do Abel.vr

 
At 4:54 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Enganei-me no "antídoto".

Contra a Inveja - Magnanimidade

A Humildade é o antídoto da Soberba "1.º da Lista que deixo aqui por curiosidade:

Soberba, Avareza, Luxúria, Ira,Inveja, Gula, Preguiça.

Os meus favoritos: Luxúria e Preguiça. A seguir a Gula e a Ira.
Resto de boa Insónia.

 
At 12:01 da tarde, Anonymous hmbf said...

Quero esclarecer, de uma vez por todas, que eu não afirmei a existência de uma inveja boa. Em suma, o que disse foi:

1 - a inveja na blogosfera até tem um lado saudável que fora dela se torna perigosamente ameaçador;

2 - o que lhe vejo de saudável é a forma como torna tão clara, evidente, inquestionável, um dos maiores podres do mundo;

3 - para mim conhecer a maldade é, sem dúvida, preferível a não conhecê-la;

4 - quando a inveja está na origem de uma vontade de ser melhor, ela não é necessariamente má.

Acrescento ao último ponto, sem dar exemplos específicos porque são muitos e históricos, vários artistas que, invejando-se mutuamente, produziram obras magníficas. A inveja é má mas, por muito que nos custe, por vezes, pode dar origem a coisas boas. É raro? Será. Mas não deixa de ser verdade que assim é.

Para terminar, penso também que a inveja é um sentimento universal que não se pode circunscrever à raça lusa. Aliás, o facto de ser um dos pecados mortais isso o prova. Mas no meu post, aquilo que mais me importava era chamar a atenção para o facto de nem sempre a inveja ser um sentimento dos que estão por baixo, dos que não têm sucesso, dos incapazes, etc. Repare-se como, de forma algo sofisticada, muitas vezes aqueles que invejam serem os primeiros a acusar de invejosos aqueles que apenas levantam o braço para dizerem: estou aqui. A inveja possui também essa dimensão de defesa territorial, daí que seja tão complexa e difícil de entender. S. Tomás abordou a questão, à luz do Senhor, na Suma Teológica (http://hjg.com.ar/sumat/c/c36.html#a1). Seja como for, concordo que o país está cheio de sabujos invejosos. Só não acredito que em Espanha não seja assim também.

 
At 7:42 da tarde, Blogger Charlotte said...

hmbf, escrevi um comentário enorme e quando o ia publicar, desapareceu, apagou-se. Não imagina a fúria! De tudo o que escrevi, resta-me apenas energia para escrever três coisas:

1) quem lhe disse que eu era liberal, credo?

2) hmbf, aceite que eu não estou disponível para ser convencida de eventuais lados bons da inveja, seja como for e onde for e em que circuntâncias ou tipos de pessoas ou o que quiser;

3) finalmente, não é verdade que me esteja nas tintas porque se estivesse garanto-lhe que este diálogo não tinha sequer acontecido. Estou-me nas tintas, isso sim, para os invejosos (bem sei, é muita gente).

Bom fim-de-semana!

 
At 8:42 da tarde, Anonymous hmbf said...

Charlotte, quem lhe disse que eu disse que a Charlotte era/é liberal? O que eu disse foi: «Quando o invejoso junta à inveja uma vontade de se superar a si próprio, a inveja pode tornar-se benéfica. Aliás, custa-me aceitar que a Charlotte não compreenda isto, até porque esta parece-me ser uma das leis mais básicas das sociedades liberais». Não depreenda daqui que eu esteja a chamar-lhe nomes, até porque seria imprudente da minha parte dado não a conhecer senão de a ler, de quando em vez, quase sempre com gosto, no seu weblog. Apenas supus que soubesse o que é uma sociedade liberal… Seja como for, eu aceito tudo o que venha da sua parte (sou um mãos largas :). Só não aceito, da sua ou de outra parte qualquer, que se interprete mal o que eu digo. Por isso procurei clarificar-me, sem quaisquer intentos catequistas. Quanto ao ponto 3, acho que faz muito bem. Agradece-lho não me ter em conta de invejoso e, desse modo, ter-se dado ao trabalho de manter diálogo comigo, mesmo se apenas para dizer que não se está nas tintas para o que se estava nas tintas. Bom fim-de-semana também para si e para os seus.

P.S.: não me leve a mal esta sugestão que espero seja entendida como simpática, mas gostava de um dia ver a Charlotte acordar como Carla Hilário de Almeida Quevedo. Fica a sugestão.

 
At 11:37 da manhã, Blogger Charlotte said...

hmbf, por acaso, estou um bocadinho arrependida por ter continuado a conversa. A sua necessidade de esclarecimento não faz sentido: eu já percebi. E percebi desde o início, quando escrevi: "Quanto à inveja ter "um lado saudável", discordo naturalmente." Depois o hmbf resolveu achar que me tinha escapado o pormenor de: "Charlotte: eu não disse que a inveja tem um lado saudável, disse antes que «a inveja na blogosfera até tem um lado saudável»." Acha, portanto, que há uma diferença, e que me escapou um qualquer argumento seu? (Não responda, peço-lhe.) Discordei de si "naturalmente", e qualquer pessoa que tenha lido o meu texto percebe porquê. Depois daquilo tudo, não pode achar que eu admita sequer uma vaga possibilidade de haver algum benefício na inveja, seja ele qualquer for (isto não é uma dúvida nem uma pergunta que precise do seu esclarecimento).

Todas suas outras necessidades de explicação resumem-se a esse tipo de pormenor, sem apresentação de nenhum argumento. Isto não é discutir ideias nem conversar. O hmbf acha que está a ser mal entendido e insiste em explicar o que não é mal entendido da minha parte. Ora, isso é esquisito, e representa para mim uma perda de tempo.

Quanto a acordar como Carla Hilário de Almeida Quevedo, pois é assim que acordo todos os dias no blogue. Aquilo sou eu. Não me diga que quer que ponha uma fotografia minha? Não responda, por favor! Eu percebi perfeitamente a sua sugestão e acredito na sua simpatia. Agora sim, bom fim-de-semana!

 
At 12:31 da tarde, Anonymous hmbf said...

Não se arrependa que não é caso para isso. Nem eu nem este diálogo merecemos o seu arrependimento. Espero que não volte para me dizer que é óbvio que não se arrepende de se arrepender.

Se percebeu o meu ponto de vista, não insista em deturpá-lo. A mim parece-me manifesta a diferença entre um putativo lado saudável intrínseco à inveja e o tal lado saudável, de tipo terapêutico, que eu logro ver no contexto blogosférico. É uma questão de contextualização. Já expliquei, inclusive, com outros exemplos, mas tudo se pode resumir ao dito popular: há males que vêm por bem. Talvez o que nos separe nesta questão seja o meu optimismo contra o seu pessimismo.

Temo que as minhas réplicas não lhe agradem, pelo que não se sinta na necessidade de lhes dar seguimento. Que eu não tenha apresentado argumentos parece-me uma crítica injusta da sua parte, tão clara e inequivocamente que lhe foram apresentados: 1 - a inveja na blogosfera até tem um lado saudável que fora dela se torna perigosamente ameaçador; 2 - o que lhe vejo de saudável é a forma como torna tão clara, evidente, inquestionável, um dos maiores podres do mundo; 3 - para mim conhecer a maldade é, sem dúvida, preferível a não conhecê-la; 4 - quando a inveja está na origem de uma vontade de ser melhor, ela não é necessariamente má. Mas isto é como se diz um belo conto de José Gomes Ferreira: numa nuvem cada qual vê o que quer (mesmo que seja uma nuvem de tédio, o que não é exactamente o mesmo que uma nuvem).

P.S.: Por favor, não me exija que fique por lhe responder às questões que me coloca. Poupe-se, não perca tempo, não se arrependa, não volte. Cuidado com as rugas. Para mim, saber que aprecia a poesia de Adília Lopes é mais que suficiente para simpatizar consigo.

 

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