25.7.07

AMANHECER DE VERÃO

Pede, por mim, entre os teus lábios fechados, uma só prece,
uma só vez, junto às estrelas lá no alto, pensa em mim.
Esvai-se a noite de Verão, a luz da manhã aparece,
tímida e gris, entre as folhas do choupo e a orla das nuvens que, assim
tão pacientes, ali aguardam o amanhecer:
pacientes e sem cor, embora o ouro do Céu pretenda,
com o sol, por entre elas flutuar.
Ao longe, por sobre as searas de trigo a crescer,
esperam os olmos robustos e o vento, em contenda,
sopra frio, inconstante; as rosas a murchar
suplicam pelo amanhecer no crepúsculo tardio, no abrigo
da casa, solitária no meio do trigo.
Diz-me uma palavra, apenas uma, à superfície do trigo,
por sobre as hastes curvas, macias, do trigo.


Tradução de Clara Garcia da Fonseca.

William Morris

William Morris nasceu em Londres a 24 de Março de 1834. Conhecido, sobretudo, como designer de papéis de parede, tecidos padronizados e livros, foi um dos fundadores do movimento socialista na Inglaterra. Poeta, ficcionista e conferencista, fundou várias firmas, sociedades e movimentos dedicados à arquitectura e às artes decorativas. Em 1858 publicou The Defence of Guinevere, and other Poems. Em Janeiro de 1891 fundou a editora Kelmscott Press, com a intenção de produzir modelos tipográficos de impressão de livros. Neste contexto, destaca-se uma edição de Os Contos da Cantuária - considerada uma das mais belas edições alguma vez produzidas. Morreu a 3 de Outubro de 1896.

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