24.7.07

PIRÂMIDE = FOGO

o sólido que adquiriu a forma da
pirâmide é o elemento e o gérmen
do fogo
PLATÃO


enquanto o fogo é fogo é voz que pesa
enquanto o fogo é fogo é grito equânime
sabemos que faremos que esta casa
será pão de justiça sobre os remos

enquanto o fogo é fogo é só ele mesmo
alargamento espaço deslizante
além – alfobres vivos – caminhamos
inteiros rectilíneos geométricos

enquanto o fogo é fogo e rói o lixo
dissolve os restos queima a carne morta
sabemos que sabemos que esperamos
fidelidade cresce – uma pirâmide

de vontades seguras balizadas
por cortinas de amor mais vigilante
até ao corpo livre e o sol incida
até ao extremo sul da claridade

de vontades seguras balizadas
por cortinas de amor mais vigilante
até ao corpo livre e o sol incida
até ao extremo sul da claridade

de vontades erguidas diluídas
em janelas a prumo sobre a vaga
até ao mel da flor que nos contemple
até à nitidez que nos aguarda

enquanto o fogo é fogo é flecha limpa
sabemos que sabemos que ele nos salva

João Rui de Sousa

João Rui de Sousa nasceu em Lisboa em 1928. Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas, dirigiu, em 1955, com António Carlos, António Ramos Rosa, José Bento e José Terra, a revista Cassiopeia. Fez a sua estreia literária nessa revista, com a publicação de poesia e ensaio. O primeiro livro, A hipérbole na cidade, apareceu em 1960. Tem colaboração dispersa por várias revistas e ganhou alguns prémios de poesia e ensaio, com destaque para o Prémio da Crítica 2002, do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, relativo a Obra Poética (1960-2002), livro igualmente distinguido com a 24ª Edição do Prémio Pen Club. »

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