5.10.07

O AMANHECER DA REPÚBLICA

Ao diante Catarina a pé, na cabine do DJ, enamorada de penteados sem solução, abraços disparados de estilo a favor dos comediantes da noite profana. Vejo Catarina, chula do blasé, pegando na mão do amante, fixando ao longe o fumo fugidio de quem apenas olha e não vê. Mas logo ali ao lado, uma velha passa batom pelos lábios das rugas, rouge pelas faces caucionadas, abre a boca ao hálito, imita a tristeza disfarça das canções parolas. É um palhaço morto no feminino, como já Catarina, a pé, junto ao seu domínio de leveza. Tão nova, tão nova. E à memória venho-me de frases batidas: está sim, podia falar com a senhora dona Catarina, por favor. Não está. Cá dentro algo me impede. Para ti, cada vez mais, somente a velha. E alguns pés chatos.

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