11.10.07

PARTY PEOPLE


Não temos mão na treva, fio de lama que escorre à superfície da pele, acusação meiga de um brilho esmorecido, morte trespassada de anúncios que nos embalam à hora de adormecer os ninhos. Viemos do nada, riem-se das nossas fontes, gargalhadas crudelíssimas errando pelo corpo como a força de uma raiz exaurindo o caminho que vai dos tímpanos ao coração. Por isso palpitamos, tememos, por isso resgatamos num sopro a explicação das pontadas, por isso dizemos ser o mundo esta treva e nós a luz que destoa, por isso contrabandeamos ignorâncias várias consentindo no insulto que é dizermos: eu sei que tu sabes que eu sei. E assim, de inauguração em inauguração, vamos fantasiando o absurdo da vida, crentes de que um dia o nada de onde vimos se torne o tudo para onde vamos.

1 Comments:

At 4:55 da tarde, Anonymous leitor n-1 said...

Aquela certa passagem... é bonita, gosto dela. Bom texto...

 

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