4.12.07

O CENTRO

Os meus ancestrais fizeram amor
Nas pastagens quentes do Próximo Oriente
E aí me inseminaram.
Eu devia ser atraído
Para o Mediterrâneo.
Suponho que sou. Grécia
Foi o estremeção do pássaro das altas colinas.
Mas Itália; quem tem dentes de ouro
Vê-os arrancados pelo Italiano;
Sua principal indústria é loucos.
A sua paisagem junta-se à superfície,
Não entrando nos
Odores do calor, essa delicada
Força que penetra
A rocha branca grega
Em veios de escuridão
Que cheiram às minerais
Origens do homem.
Aí está pois a Grécia. Mas o meu pensamento
Fica num lugar que pouco vi.
O rio passa
Pela vila, caindo maciçamente
Sob uma ponte baixa.
Genebra. Estava escrito
Que eu escolhesse as tuas ruas frias
Sugeridas pelo sul?
Em redor desta praça
Movem-se cismas ornados, entrançados
E apressados pelo emblema
Maldoso e caro da poderosa Europa.
É apenas forte? É também
Absurdo. É um continente
Atingindo no seu intelecto
Em cujo centro cai
Num grande lago;
Como uma banheira de bujão tirado.
E é aqui que eu estou
Constrangido por ter ambas
As prevalecentes intensidades
Como fechadas, e como formadas
Como o frio se forma aqui
De acordo com o choque
De opostos. Tal firmeza
Parece pré-determinada
E entrelaçada até um hiato
Que é a teia e o espaço
Feito pela Europa em luta,
Onde a escolha tremula, mas não escolhe.
É onde as tensões se encontram
E mutuamente se desgastam.
A vida de um grande
Continente inteligente
Atravessa o espaço
Que ele próprio fez em si
Com excessivo intelecto.
Ou o intelecto
Procurava noiva
Mas só se achou a si
Suficiente para os seus apetites, -
Talvez um veneno que este farmacêutico
Fatalmente vendeu
E provou, e dele apodreceu.
Tradução de Manuel de Seabra.

Jon Silkin

Jon Silkin nasceu em Londres em 1930. Filho de judeus, foi uma das muitas crianças evacuadas de Londres durante a Segunda Grande Guerra. Durante a década de 1950 sobreviveu praticando vários ofícios, como o de canalizador. Também por essa altura, fundou a revista Stand. A sua primeira colecção de poemas aparece em 1954, com o título The Peaceable Kingdom. Foi depois professor na Universidade de Leeds, conferencista, autor de várias antologias. Faleceu em Novembro de 1997.

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